Quarta, 13 de Dezembro de 2017

CORREIO DO ESTADO

Confira o editorial desta sexta-feira: "Custos da negligência"

21 ABR 2017Por 03h:00

A burocracia e a lentidão dos gestores acabam encarecendo obras e, em alguns casos, projetos são totalmente desperdiçados.

Drenagem ineficiente, crateras esquecidas e asfalto em péssimas condições levaram à repetição do cenário de caos depois da chuva forte nesta semana em Campo Grande. Os estragos concentraram-se na região sul da cidade, com situação mais crítica na Avenida Gury Marques, bastante movimentada, onde carros ficam presos em meio ao alagamento. Erosão já atinge a margem da pista justamente em ponto onde foram executadas obras para contenção de problemas relacionados a enchentes. Por mais que existam dificuldades financeiras, há intervenções em pontos críticos da cidade que não podem mais ser proteladas, sob o risco de prejuízos maiores. 

Sucessivos alertas já tinham sido dados na região das Moreninhas, com danos causados em temporais anteriores. Nos últimos quatro anos, a Capital não contou com obras de contenção de enchentes. Negligência que tem alto preço para os campo-grandenses. Os pontos críticos de alagamentos aumentaram e nem mesmo serviços básicos essenciais, a exemplo da limpeza de bocas de lobo e de córregos, foram executados no período. Agora, às pressas, providências são adotadas em caráter emergencial e, além dos prejuízos já causados, podem ter custos mais altos.

A erosão no Rio Anhanduí, às margens da Avenida Ernesto Geisel, tornou-se símbolo mais explícito do descaso de diferentes administrações públicas, em que o risco de desmoronamento na pista aumenta a cada chuva. Agora, a expectativa é que as propostas para obras sejam abertas no dia 10 de maio. Até mesmo interferência da Justiça foi necessária para que o Executivo cumprisse suas obrigações. Projetos foram refeitos, licitações interrompidas e os valores orçados acabaram ficando defasados. O recurso federal tornou-se insuficiente e não havia condições de ampliar a contrapartida. Assim, o trecho a receber melhorias precisou ser reduzido. 

A burocracia e a lentidão dos gestores acabam encarecendo obras e, em alguns casos, projetos são totalmente desperdiçados porque precisam ser refeitos. Essas correções precisam ser feitas com planejamento. Caso contrário, continuaremos com a política do “tapa-buraco” - tendo de consertar para, pouco depois, ter de reparar de novo, a exemplo do que ocorre com os milhões gastos todos os meses nas ruas da cidade. Claro desperdício do dinheiro do contribuinte e lucro certo para as empreiteiras. 

A quantidade do orçamento destinada para contenção de enchentes é considerada pífia e foi reduzida para este ano. Sabe-se da crise econômica enfrentada atualmente e da necessidade de trabalhar com prioridades. Justamente por isso os recursos não podem ser desperdiçados. Os ajustes não podem mais ser adiados. Obviamente, não há como corrigir tantas falhas em pouco tempo, mas os passos iniciais precisam ser dados. É inaceitável que tenhamos de conviver com soluções paliativas para remediar problemas que já se tornaram crônicos.    

 

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