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CORREIO DO ESTADO

Confira o editorial desta sexta-feira: "Colapso constante"

Confira o editorial desta sexta-feira: "Colapso constante"
04/08/2017 03:00 -


A sensação é de que as soluções para a saúde são buscadas apenas no sufoco, quando a situação já se tornou insustentável.

O caos na saúde pública de Campo Grande estava anunciado, previsto e escancarado, mas não houve nenhuma reação para evitar que os prejuízos continuassem aumentando. O fechamento dos portões do pronto-socorro da Santa Casa de Campo Grande, maior hospital de Mato Grosso do Sul, representa a grave consequência de crise administrativa, financeira e displicência de proporção ainda maior, com responsabilidade direta do poder público. Problemas arrastam-se há meses. O governo do Estado acumula dívidas de 

R$ 40 milhões em repasses atrasados para os 79 municípios. Só com a Capital, a pendência chega a R$ 21 milhões, fato que motivou moção de repúdio do Conselho Municipal de Saúde. O sistema, no geral, não funciona: unidades de saúde e alguns hospitais estão subutilizados por falhas de gerenciamento e falta de investimentos, enquanto outros são sobrecarregados. A “bomba” ia estourar e, novamente, a população sofre os efeitos mais graves. 

Na teoria, Campo Grande conta com três grandes hospitais para atendimento na rede pública, mas a Santa Casa aparece como referência das mais diversas especialidades, principalmente relacionada a pacientes que sofreram traumas. Com aumento dos acidentes de trânsito, a superlotação torna-se inevitável. O Hospital Regional é mal aproveitado e, como já foi mostrado pelo Correio do Estado, acaba funcionando como “postão”. Perde-se a oportunidade de ampliar atendimentos de média e alta complexidade. Começa, então, o repetido “jogo de empurra” sobre a deficiência nos postos de saúde que acaba causando esse reflexo. A solução debatida pelas autoridades, sempre, é aperfeiçoar a regulação dos pacientes, mas os resultados demoram a aparecer na prática.

Conseguir leitos, principalmente em Unidade de Terapia Intensiva, continua sendo martírio para quem precisa ser atendido com urgência. Agendar cirurgia é outro drama, pois a fila é enorme e faltam até materiais. Na emergência, não dá para esperar o governo resolver pagar, gradativamente, as parcelas dos repasses atrasados ou promover novas reuniões para aperfeiçoar gestão. A sensação é de que as soluções para a saúde são buscadas apenas no sufoco, quando a situação já se tornou insustentável. Essa protelação constante fica evidente na Santa Casa, com atrasos de salário, paralisações pontuais e suspensão de procedimentos, até que o poder público, enfim, libere mais verbas. E, mesmo assim, a fiscalização da aplicação do dinheiro continua insuficiente e sem acompanhamento.

A saúde pública não é tratada com o devido comprometimento e seriedade. Campo Grande recebe a demanda de pacientes do interior, pois os municípios não contam com estrutura adequada para atendimentos mais complexos. Mesmo assim, é castigada pela herança da péssima administração de Alcides Bernal e, ainda, pelo contingenciamento de verbas que deveriam ser repassadas pelo governo estadual, com a justificativa de crise econômica, a qual, vale lembrar, atinge a todos.

É preciso mais organização, para evitar que a saúde pública enfrente colapso constante. Com razão, a população tem apenas a certeza de que enfrentará dificuldade ao depender do SUS. 
 

Felpuda


Alguns políticos estão se aproveitando deste momento preocupante de pandemia para sugerir projetos oportunistas que, em alguns casos, são de resultados extremamente duvidosos. O mais interessante – para não dizer outra coisa – é que se for analisado o desempenho normal dessas figuras, verifica-se que essa preocupação toda nunca esteve no topo das suas prioridades. Ano eleitoral é assim mesmo. Lamentável!