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Campo Grande - MS, quarta, 14 de novembro de 2018

CORREIO DO ESTADO

Confira o editorial desta sexta-feira: "Colapso constante"

4 AGO 2017Por 03h:00

A sensação é de que as soluções para a saúde são buscadas apenas no sufoco, quando a situação já se tornou insustentável.

O caos na saúde pública de Campo Grande estava anunciado, previsto e escancarado, mas não houve nenhuma reação para evitar que os prejuízos continuassem aumentando. O fechamento dos portões do pronto-socorro da Santa Casa de Campo Grande, maior hospital de Mato Grosso do Sul, representa a grave consequência de crise administrativa, financeira e displicência de proporção ainda maior, com responsabilidade direta do poder público. Problemas arrastam-se há meses. O governo do Estado acumula dívidas de 

R$ 40 milhões em repasses atrasados para os 79 municípios. Só com a Capital, a pendência chega a R$ 21 milhões, fato que motivou moção de repúdio do Conselho Municipal de Saúde. O sistema, no geral, não funciona: unidades de saúde e alguns hospitais estão subutilizados por falhas de gerenciamento e falta de investimentos, enquanto outros são sobrecarregados. A “bomba” ia estourar e, novamente, a população sofre os efeitos mais graves. 

Na teoria, Campo Grande conta com três grandes hospitais para atendimento na rede pública, mas a Santa Casa aparece como referência das mais diversas especialidades, principalmente relacionada a pacientes que sofreram traumas. Com aumento dos acidentes de trânsito, a superlotação torna-se inevitável. O Hospital Regional é mal aproveitado e, como já foi mostrado pelo Correio do Estado, acaba funcionando como “postão”. Perde-se a oportunidade de ampliar atendimentos de média e alta complexidade. Começa, então, o repetido “jogo de empurra” sobre a deficiência nos postos de saúde que acaba causando esse reflexo. A solução debatida pelas autoridades, sempre, é aperfeiçoar a regulação dos pacientes, mas os resultados demoram a aparecer na prática.

Conseguir leitos, principalmente em Unidade de Terapia Intensiva, continua sendo martírio para quem precisa ser atendido com urgência. Agendar cirurgia é outro drama, pois a fila é enorme e faltam até materiais. Na emergência, não dá para esperar o governo resolver pagar, gradativamente, as parcelas dos repasses atrasados ou promover novas reuniões para aperfeiçoar gestão. A sensação é de que as soluções para a saúde são buscadas apenas no sufoco, quando a situação já se tornou insustentável. Essa protelação constante fica evidente na Santa Casa, com atrasos de salário, paralisações pontuais e suspensão de procedimentos, até que o poder público, enfim, libere mais verbas. E, mesmo assim, a fiscalização da aplicação do dinheiro continua insuficiente e sem acompanhamento.

A saúde pública não é tratada com o devido comprometimento e seriedade. Campo Grande recebe a demanda de pacientes do interior, pois os municípios não contam com estrutura adequada para atendimentos mais complexos. Mesmo assim, é castigada pela herança da péssima administração de Alcides Bernal e, ainda, pelo contingenciamento de verbas que deveriam ser repassadas pelo governo estadual, com a justificativa de crise econômica, a qual, vale lembrar, atinge a todos.

É preciso mais organização, para evitar que a saúde pública enfrente colapso constante. Com razão, a população tem apenas a certeza de que enfrentará dificuldade ao depender do SUS. 
 

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