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Campo Grande - MS, quarta, 14 de novembro de 2018

CORREIO DO ESTADO

Confira o editorial desta segunda-feira: "Tentáculos da corrupção"

24 JUL 2017Por 03h:00

O que seria a mola propulsora na geração de milhares de empregos no Estado foi, na verdade, mais um componente de ação do crime organizado.

O epicentro da corrupção na Operação Lava Jato, a Petrobras, tornou-se melancólico capítulo da história política brasileira. Desde o início das investigações, desencadeadas em 2014, foram descobertos desvios de recursos milionários, em esquema fraudulento que se arrasta há anos. As consequências das irregularidades afetam a credibilidade do País no mercado internacional e causam terremoto político de proporções ainda incalculáveis. Recentemente, uma nova linha de apuração foi aberta, desta vez em Mato Grosso do Sul: o que seria a mola propulsora na geração de milhares de empregos no Estado foi, na verdade, mais um componente de ação do crime organizado existente dentro da empresa.

A Unidade de Fertilizantes Nitrogenados (UFN3), em Três Lagoas, seria a maior planta da América Latina, com capacidade de 1,2 milhão de toneladas/ano de ureia e 81 mil toneladas por ano de amônia. Na fase de construção da fábrica,  iniciada em 2011, foram 7 mil empregos gerados. Posteriormente, já em atividade, 700 postos de trabalho. O que se tem, agora, é um monstro edificado e abandonado, que deixou rastro de dívidas no município. Agora, é alvo de investigação do Ministério Público Federal, que apura crime de sonegação fiscal e lavagem de dinheiro. Ficaria como alento a usina em funcionamento. Porém, depois de quase R$ 3 bilhões gastos, o projeto foi paralisado, com a saída oficial do consórcio responsável. Empresários e prestadores de serviços na cidade amargam prejuízo de R$ 34 milhões, imbróglio ainda não resolvido, embora uma conta da Petrobras tenha sido bloqueada para pagar os empresários.

Não se pode alegar surpresa se a investigação desvendar o esquema e apontar responsáveis. Dificilmente a usina em Três Lagoas ficaria de fora do esquema de corrupção que tomou conta da estatal. Infelizmente, hoje, é impossível fazer a dissociação entre as duas coisas e os números são evidência disso. Conforme comunicados divulgados nos últimos três anos, de 2014 até 2016, a Petrobras teve prejuízo líquido de R$ 71,1  bilhões, resultado direto do “impairment”; na prática, o reconhecimento da desvalorização dos ativos, sendo necessário lançar nos balanços financeiros. Os investimentos totais também caíram. Entre 2015 e 2016, passaram de R$ 76 bilhões para R$ 55 bilhões, recuo de 22%. No auge da crise, abriram plano de demissão voluntária e, no passado,  demitiram 68,8 mil funcionários. Os desligamentos, por enquanto, não devem ocorrer novamente, mas não foram completamente descartados.

A investigação precisa ser célere e apontar responsáveis com a mesma rapidez caso os indícios sejam comprovados. Três Lagoas é um dos casos de municípios afetados pelos desvios bilionários de recursos públicos e só não padece como Macaé, no estado do Rio de Janeiro e que era considerada a “capital nacional do petróleo”, por ter outros empreendimentos em andamento e em expansão. Mas, há cerca de 130 empresários com débitos a vencer e outras centenas em busca de oportunidade de trabalho, expectativa cada vez mais distante. Única certeza é a frustração, personificada no elefante branco da UFN3.

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