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CORREIO DO ESTADO

Confira o editorial desta segunda-feira: "Previdência insustentável"

Confira o editorial desta segunda-feira: "Previdência insustentável"
19/08/2019 03:00 -


Ninguém consegue imaginar um fundo previdenciário sem patrimônio ou capital. A dura realidade é que os sistemas dos estados e municípios brasileiros não têm nenhum dos dois.

A  previdência é algo criado pelo homem e que está diretamente relacionada ao seu ciclo de vida. Sua existência está diretamente ligada à ascensão do capitalismo. Por mais que atualmente existam linhas de pensamento que coloquem a preocupação com o pagamento de aposentadorias e pensões mais próximo de doutrinas socialistas, a verdade é que as primeiras leis previdenciárias surgiram, justamente, no fim do século 19, numa época em que a produção por escala, por meio de linhas de montagem, ganhava força.

O primeiro benefício previdenciário de que se tem registro é o auxílio-doença, que surgiu em 1993, na Alemanha de Otto Von Bismarck. De lá para cá, diversos tipos de seguros sociais foram se espalhando mundo afora e estão presentes, praticamente, em todas as nações do mundo ocidental e em muitos países do Oriente também.

Diante deste contexto, é importante frisarmos que o desafio de financiamento que a previdência brasileira enfrenta nos dias atuais está muito mais relacionado à gestão dos recursos arrecadados ao longo da história do que necessariamente a qualquer tipo de ideologização do tema. Não fosse a previdência algo visto como necessário na existência de uma pessoa economicamente ativa, os bancos – maior símbolo do sistema capitalista – não venderiam planos de previdência complementares.

Preparar-se para o futuro é preciso. A imprevidência do passado gerou o deficit que vivemos no momento. Para demonstrar um pouco do problema que atravessam os regimes previdenciários do setor público brasileiro, vamos aos sistemas de aposentadorias e pensões dos servidores públicos. Neles, é possível perceber que são raríssimos os estados e municípios brasileiros que não enfrentam dificuldades.

Reportagem publicada nesta edição mostra que em Mato Grosso do Sul é preciso aportar, todos os meses, R$ 56 milhões para cobrir o deficit da previdência dos servidores públicos. Esta insuficiência denota um sistema falido e que chegou a esta situação por problemas de gestão em décadas passadas.

Por exemplo: ninguém consegue imaginar um fundo de previdência que não tenha patrimônio ou capital. A dura realidade é que os sistemas previdenciários dos estados e municípios brasileiros não têm nenhum dos dois, daí a necessidade dos aportes milionários mensais.

A maioria dos aposentados e pensionistas desta geração fez por merecer os benefícios que recebem. Não fossem as más gestões do passado, estariam, agora, recebendo parte do patrimônio que ajudaram a construir com suas contribuições. O mais lamentável sobre o momento em que vivemos é que a geração atual paga a previdência da geração anterior e, certamente, não sabe se terá algum tipo de previdência no futuro.

Enquanto os governantes não capitalizarem, não dotarem os sistemas previdenciários de patrimônio, a previdência pública do Brasil será sempre deficitária.
 

Felpuda


As várias e várias mensagens que vêm sendo trocadas em grupos fechados, e para poucos, são de que algumas alianças poderão acontecer, mas mediante a troca de comando em alguns órgãos importantes. Seriam entendimentos para atender siglas de matizes bem diversos que vêm tentando criar dificuldades para vender facilidades. Se as negociações forem concretizadas, tornarão os caminhos sem muitas barreiras. A conferir.