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CORREIO DO ESTADO

Confira o editorial desta segunda-feira: "Perspectivas para o gás"

Confira o editorial desta segunda-feira: "Perspectivas para o gás"

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O impacto do fim do contrato de compra de gás da Bolívia poderá ser de até 10% na receita. É o receio desta perda que está levando o governo do Estado a apertar o cinto.

Um período de incerteza se aproximada, e a preocupação do governador Reinaldo Azambuja e dos integrantes de sua equipe de administração é mais que compreensível. Pela primeira vez em quase duas décadas, Mato Grosso do Sul ficará sem uma receita fixa oriunda da taxação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) por meio da importação do gás natural.

Isso, necessariamente, não significa que o Estado deixará de receber recursos oriundos do gás natural. Isso está muito longe de ocorrer, em primeiro lugar porque, embora a contrato de compra de gás entre as estatais YPFB (da Bolívia) e Petrobras chegará ao fim em dezembro deste ano (leia reportagem nesta edição), outros contratos de consumo, por exemplo, os dos condomínios e postos de combustíveis clientes de distribuidoras locais, como a MS-Gás, continuarão vigentes. Sim, a perda de volume importado poderá ser substancial, isso não significa porém, que postos de combustível deixarão de oferecer o GNV, ou que condomínios e indústrias ficarão sem gás natural.

O temor das autoridades estaduais se fundamenta na possibilidade de quase toda a demanda por gás natural das regiões Sul e do Estado de São Paulo, que estão na rota do gasoduto Bolívia-Brasil seja suprido pelo gás natural extraído das jazidas da camada Pré-Sal do Oceano Atlântico. Esta mudança de matriz já teve início - de forma gradativa, pois o contrato com a YPFB precisava ser devidamente cumprido - há três anos. Foi nesta época que o volume de importação foi reduzido e a receita de ICMS do produto passou a cair, conforme detalhado adiante na página 5. 

De fato, o impacto do fim do contrato da Petrobras poderá ser de até 10% na receita. É o receio desta perda que está levando o governo do Estado a apertar o cinto em alguns setores da administração, como por exemplo, na folha de pagamento.

Apesar de faltarem pouco menos de seis meses para o fim do contrato de fornecimento, ainda há muito que nossos representantes em Brasília - sim, estamos falando de nossa bancada federal - podem fazer em Brasília e no Rio de Janeiro. Em outras ocasiões, a importação de uma cota mínima foi negociada com a direção da Petrobras e com o governo federal. O mesmo poderia ser feito agora, e seria um alívio e tanto para o governo e seu caixa.

No médio prazo, entretanto, o medo do governo não se justifica. Sob controle de outra empresa diferente da Petrobras, e sem o contrato de fornecimento, é possível que a Transportadora do Gasoduto Bolívia-Brasil (TBG) ganhe novos clientes, e ainda aumente o volume importado da Bolívia. A julgar pelos movimentos recentes, como por exemplo, o acordo para a YPFB ser sócia da russa Acron na fábrica de fertilizantes de Três Lagoas, percebemos que o governo boliviano é um dos maiores interessados em continuar fornecendo gás para o Brasil e, neste aspecto, o estado de Mato Grosso do Sul, partilha do mesmo interesse. Por isso, entendemos a preocupação por perda de receita tributária no curto prazo, mas vemos com otimismo o horizonte para o médio e longo prazo.

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Dinheiro não basta para uma longevidade completa

Saúde e qualidade de vida: ter recursos para acessar os melhores planos de saúde é um privilégio, mas o verdadeiro ativo de longevidade é a funcionalidade do corpo

06/04/2026 07h45

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A preparação financeira deve ser, sim, um dos pilares de sustentação para quem busca uma transição segura para o pós-carreira. Considerar gastos futuros, prever os impactos inflacionários e estruturar um fluxo de caixa que suporte o estilo de vida desejado continua sendo a base de qualquer plano de acumulação e previdência.

No entanto, após décadas analisando riscos, percebo que o caminho para uma longevidade plena não pode ser limitado a uma única cifra bancária. O sucesso financeiro, isolado, é insuficiente para garantir relevância e bem-estar após os 50 anos ou 60 anos.

Muitos executivos e profissionais chegam ao topo da pirâmide corporativa com um patrimônio sólido e meticulosamente planejado, mas, quando retiram o crachá, enfrentam uma lacuna existencial.

Existem dimensões que fogem ao controle das planilhas de investimentos e que têm um impacto direto na saúde e na percepção de valor próprio. Para uma longevidade dita completa, precisamos falar sobre a gestão de outros ativos fundamentais.

Saúde e qualidade de vida: ter recursos para acessar os melhores planos de saúde é um privilégio, mas o verdadeiro ativo de longevidade é a funcionalidade do corpo. Alimentação e exercícios físicos durante a vida e na maturidade são uma questão de autonomia.

Conforme as diretrizes da Organização Mundial de Saúde (OMS), recomenda-se de 150 minutos a 300 minutos de atividade física aeróbica moderada ou 75 minutos a 150 minutos de atividade vigorosa por semana para adultos e idosos.

Sem saúde funcional, o patrimônio financeiro torna-se apenas um fundo de reserva para remediar perdas, em vez de financiar experiências e novas vivências.

Socialização e networking: cultivar amizades e conexões fora do ambiente de trabalho deve ser um exercício constante ao longo da vida. Quando as companhias sociais são baseadas somente no ambiente corporativo, muitos indivíduos perdem sua principal rede de conexões ao deixar a empresa.

Um estudo da Universidade da Carolina do Norte aponta que relações sociais sólidas na longevidade reduzem os riscos de hipertensão e isolamento, além de estimular a memória.

Na longevidade, o networking deixa de ser prioritário para fechar negócios, mas colabora para sustentar a identidade e a vitalidade cognitiva.

Propósito e hobbies: ocupar a mente com atividades prazerosas, espiritualidade e novos projetos. Em muitos casos, inclusive, hobbies e propósitos podem até se transformar em fontes de renda, além da realização pessoal.

No meu caso, por exemplo, mesmo no pós-carreira, sigo envolvido com temas ligados à economia prateada e longevidade. Além do ambiente de negócios, participo de palestras, podcasts e projetos sociais conectados a esse universo.

Também não desperdiço as oportunidades de velejar com mais frequência, meu hobbie preferido, em que junto a família e amigos.

Esse tipo de envolvimento é essencial para preservar o senso de utilidade e pertencimento, além de manter a pessoa contemporânea, ou seja, ativa e conectada com o mundo atual. Isso ajuda a evitar aquela sensação de obsolescência, que pode ser perigosa quando alimentada.

O dinheiro pode proporcionar a liberdade do tempo, mas é o propósito que dá significado a esse tempo. Com o equilíbrio certo, o planejamento para o pós-carreira se torna uma nova fase de vitalidade e realização.

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Perestroika tropical

A Venezuela deixou de ser um laboratório de resistência ideológica para se tornar o epicentro de um experimento de sobrevivência pragmática

06/04/2026 07h30

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Se o Estreito de Ormuz retém hoje o fôlego da geopolítica global, o Palácio de Miraflores exige um olhar muito mais cirúrgico. Ali, testemunhamos uma metamorfose estrutural profunda: a saída de Nicolás Maduro e a ascensão de Delcy Rodríguez.

A Venezuela deixou de ser um laboratório de resistência ideológica para se tornar o epicentro de um experimento de sobrevivência pragmática. Delcy é a arquiteta de uma “normalização autoritária” que desafia as leituras convencionais da diplomacia regional.

A demissão de Vladimir Padrino López do Ministério da Defesa e de Samuel Moncada da Embaixada nas Nações Unidas é o marco zero desta era. Ao remover a ponte entre o chavismo originário, as Forças Armadas e a diplomacia, os irmãos Rodríguez – Delcy e Jorge – consolidam um controle civil repressivo, substituindo a lealdade ideológica por uma tecnocrática.

O regime transmutou-se de monolito militar em corporação política. É a “Perestroika tropical”: uma reestruturação econômica desenhada para garantir a longevidade do grupo no poder, sem nenhuma concessão à transparência política.

A mudança mais radical reside na nova Lei de Hidrocarbonetos. Ao permitir que petroleiras estrangeiras operem com controle majoritário, Delcy transformou a PDVSA em um ativo de segurança nacional para potências externas.

É o “capitalismo de Estado” como escudo humano diplomático. Para o governo Trump, o realismo energético carrega o potencial de distensão.

O petróleo fluindo com eficiência é a moeda de troca pelo silêncio internacional sobre o ainda deficit democrático interno, mesmo que esteja em processo de distensionamento.

A geopolítica venezuelana migrou do dogmático “eixo da resistência” para um pragmático “eixo da conveniência”. À China, mesmo que mais distante, Delcy oferece ordem operacional e previsibilidade de pagamentos. Paralelamente, os laços com Cuba e Irã sofreram uma mutação fria, com o subsídio ideológico cedendo espaço à eficiência pura.

Havana agora é tratada como uma prestadora de serviços em declínio, enquanto a presença iraniana se enfraquece para sinalizar ao Ocidente a disposição do regime em mitigar influências indesejadas em troca de reconhecimento.

O triângulo com os EUA é estritamente transacional. Washington tende a preferir uma Venezuela estável e aberta a negócios do que uma democracia incerta.

Assim, a libertação seletiva de prisioneiros políticos funciona como válvula de escape diplomática para arrefecer pressões sem que os Rodríguez renunciem ao controle absoluto.

A inovação de Delcy é o descarte da estética revolucionária em favor da gerencial. Ela compreendeu que a comunidade internacional, exausta de crises, aceita um autoritarismo funcional.

Para o Brasil e a região, o desafio é complexo: lidamos com uma liderança que domina as ferramentas da política global. Delcy criou um ambiente onde o custo de derrubar o regime é maior do que o de mantê-lo.

Se estabilizar a inflação e a produção petrolífera em 2026, ela terá inventado a autocracia do século 21: aquela que não se isola, mas convida o mundo para ser sócio da sua própria permanência.

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