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CORREIO DO ESTADO

Confira o editorial desta segunda-feira: "Persistência no erro"

20 MAI 19 - 03h:00

A Santa Casa de Campo Grande, que segue de mal a pior, é mais uma vez alvo de questionamentos; desta vez por membros do próprio conselho, que denunciam corrupção e a dilapidação do patrimônio da entidade.

Desvio de recursos públicos, gastos acima da arrecadação, nepotismo, fraudes em contratos terceirizados, greves e paralisações de funcionários por conta de atrasos no pagamento dos salários. Estes são apenas alguns dos problemas que envolvem não apenas o serviço público, mas também o maior hospital de Mato Grosso do Sul: a Santa Casa de Campo Grande. 

Com deficit de R$ 37,5 milhões em 2018, conforme divulgado pela Associação Beneficiente (ABCG) no mês de abril, em uma publicação no Diário Oficial do município (Diogrande), os gastos com diversos serviços – especialmente os terceirizados – e obras só crescem, ao invés de serem rigorosamente verificados e diminuídos. 

Ocorre que o problema do hospital, que não consegue administrar de forma precisa e clara seus recursos milionários (são mais de R$ 20 milhões por mês – quase a totalidade vinda dos cofres dos governos federal, estadual e municipal), é antigo e só se agrava com o tempo. No último ano, a receita total da entidade foi de R$ 344,4 milhões, sendo R$ 270,2 milhões proveniente do Sistema Único de Saúde (SUS). Ou seja, as verbas chegam em grande quantidade, porém, são mal utilizadas.

Enquanto a ABCG patina, a dívida cresce e o atendimento piora. São constantes as reclamações dos pacientes que não recebem o atendimento necessário e, em muitos casos, não têm acesso nem mesmo às vagas para internação. E também há problemas que afetam os médicos – o principal, relativo aos atrasos sistemáticos nos salários.

Em vez de conter gastos, o hospital constrói e reforma sem planejamento; por exemplo, a ala administrativa na Rua Rui Barbosa, que está quase pronta, enquanto a Unidade do Trauma, que levou mais de 20 anos para ser concluída, precisou de inúmeros “acordos” para começar a funcionar. 

Nesta edição, mais uma denúncia demonstra a má gestão da Santa Casa, que utilizou recursos públicos na construção e instalação de equipamentos da lavanderia, mas entregou o espaço para uma empresa terceirizada lavar a roupa suja.

Enquanto conselheiros da ABCG, que, de acordo com o estatuto da associação, deveriam ter acesso às informações sobre contratos, são impedidos de obter dados, a transparência pública do hospital continua deficiente e duvidosa. Resta saber por quanto tempo mais o hospital conseguirá manter suas portas abertas diante da administração ineficiente. Até quando?

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