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CORREIO DO ESTADO

Confira o editorial desta segunda-feira: "O crime não pode compensar"

9 SET 19 - 03h:00

É importantíssimo que a sociedade saiba que o fortalecimento das corregedorias, de qualquer instituição, é o melhor instrumento para a construção de uma sociedade mais justa.

Nos últimos quatro anos, em meio à escalada da criminalidade e ao consequente aumento do medo pela população, o ofício de policial passou a ser ainda mais exaltado pela população brasileira. Neste mesmo período, houve aumento dos confrontos entre criminosos e os policiais, e a população adotou a figura do policial como herói. A espetacularização de um ato obrigatório, o combate ao crime, também favoreceu o surgimento deste apoio massivo. 

Com esta cobrança da população por mais segurança e, claro, a necessidade de mais policiais, os atos praticados pelas forças de segurança passaram a ser ainda mais comemorados e merecidamente elogiados. Esta nova caçada aos bandidos, porém, obscureceu uma das instituições mais importantes das polícias: as corregedorias.

As corregedorias são essenciais para a manutenção do respeito e do status que as polícias têm na sociedade. São elas as responsáveis pela dura tarefa de investigar os próprios policiais. Até porque, trata-se de seres humanos e qualquer humano está suscetível a algum deslize.

Estes órgãos são muito necessários ao Estado Democrático de Direito. São as corregedorias e o Ministério Público (em todas as repartições) que impõem contrapeso ao poder de polícia exercido pelo Estado. A sociedade precisa de equilíbrio, e não de excessos.

Nesta edição, trazemos um relato do excelente trabalho realizado pela Corregedoria da Polícia Civil e pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul. Eles foram responsáveis pela rápida e eficiente investigação do “sumiço” de 101 quilos de cocaína da 1ª Delegacia de Aquidauana, no início de junho deste ano. Quem diria que o autor da ideia de furtar a droga apreendida seria o delegado-chefe do local. E o pior: conforme os promotores de Justiça e corregedores, ele teria se aliado aos traficantes para cometer o crime. Agora, conforme o leitor poderá ler com mais detalhes adiante, o acusado de tráfico é ele.

Os policiais da corregedoria, neste caso específico, exerceram o papel de polícia duas vezes. Porque, se a função principal da polícia é prender criminosos, cumprir a lei e mostrar pedagogicamente à população que o crime não compensa, a função do corregedor é demonstrar à população e ao restante dos policiais que em hipótese alguma eles podem se aliar aos criminosos e tornar-se um deles. O crime nunca deve compensar.

É importantíssimo que a sociedade saiba que o fortalecimento das corregedorias, de qualquer instituição, é o melhor instrumento para a construção de uma sociedade mais justa. É a maneira mais eficiente para oxigenar a difícil missão de combater o crime e oferecer mais segurança à população.

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