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CORREIO DO ESTADO

Confira o editorial desta segunda-feira: "Novo gás para o futuro"

7 OUT 19 - 03h:00

Agora, aparentemente, vem um renascimento do gás natural. A MS Gás já espera um aumento na demanda, e projeta triplicar seu tamanho.

Até o final da década de 1990 a economia de Mato Grosso do Sul era muito simples de ser definida, e até mesmo por esta simplicidade, a mesma ficava em posição vulnerável quando os setores que ela era dependente, sofriam grandes oscilações de produção, oferta e demanda, nos contextos local, nacional e internacional. Nos referimos a um termo que ficou muito popular até esse período, o tal “binômio boi-soja”. Claro que havia outras culturas entre este binômio, como a do milho, por exemplo, e as da mandioca e a do algodão que começava ser intensificada no período, mas, de fato, a maioria dos negócios feitos no Estado até então, tinham relação direta com este binômio.

Com a devida exceção de uma indústria extrativa peculiar, como a da mineração em Corumbá, praticamente em todo o Estado, aonde não havia uma incontável quantidade de bovinos, havia uma vasta área plantada. Não por isso, até os anos 1990, a indústria frigorífica e algumas esmagadoras de soja, era o que prevalecia em Mato Grosso do Sul.

A dificuldade de variação da matriz econômica também refletia nas contas públicas. Não foram poucos os anos, em diferentes administrações, que o governo enfrentou dificuldades para investir, e pagar o salário dos servidores em dia. Por mais que pesassem alguns casos relacionados à responsabilidade fiscal da gestão, o fato é que nos anos em que o cenário externo não ajudasse, ou que as condições climáticas atrapalhassem a produtividade, a população de todo o estado sentia as consequências.

A situação começou a mudar no fim dos anos 1990 com a chegada do gasoduto Bolívia-Brasil. A primeira grande contribuição do gasoduto para melhorar as finanças de Mato Grosso do Sul foi com a taxação  do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) na origem do produto (que entra no Brasil por Corumbá), o que garantiu um bom reforço no caixa. O dinheiro de sobra ajudou que os servidores voltassem a ter seus salários em dia, e os investimentos, voltaram a acontecer. Nesta mesma época, em que o Brasil passava por uma crise energética que ficou conhecida como “apagão”, a primeira usina termelétrica convertida para gás natural foi instalada em Campo Grande.

O gás natural também ajudou a mudar a matriz econômica de Mato Grosso do Sul. Em Campo Grande e em Três Lagoas, onde ele é distribuído mais facilmente, ajudou na industrialização, e a baratear a energia. A cidade localizada na região Leste do Estado tornou-se um grande e importante parque industrial. Hoje, é nada menos que o maior polo produtor de celulose do Planeta Terra, e ainda conta com várias indústrias.

A partir de 2015, porém, com a descoberta de imensas jazidas de gás natural na camada pré-sal do Oceano Atlântico, na região Sudeste, o gás importado da Bolívia teve sua demanda reduzida, o que prejudicou os cofres do governo de Mato Grosso do Sul. Foram quatro anos de dificuldades, mas que se não fosse as indústrias que o gasoduto ajudou a  trazer, o problema seria ainda maior. 

Agora, aparentemente, vem um renascimento do gás natural. A MS Gás já espera um aumento na demanda, e projeta triplicar seu tamanho (leia reportagem nesta edição). Uma fábrica de fertilizantes, que usará grande quantidade de gás como matéria-prima está prestes a ser instalada em Três Lagoas. Um novo gás está vindo. A economia de Mato Grosso do Sul agradece.

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