Fale conosco no WhatsApp

Por sua segurança, coloque seu nome e número de celular para contatar um assessor digital por Whatsapp.

CORREIO DO ESTADO

Confira o editorial desta segunda-feira: "Menos conflitos, mais esperança"

16 SET 19 - 03h:00

Este acordo é o que faltava para acelerar a compra da UFN3 pela Acron. Mas também é importante para que o sonho iniciado no início da década tenha um desfecho positivo.

A manutenção de conflitos dificilmente resulta em um ganho em longo prazo para qualquer uma das partes envolvidas. Essas desavenças, geradas pelos mais variados fatores – embate entre interesses das partes, casos fortuitos ou de força maior, planejamento insuficiente, entre outros –, sempre deixam consequências. São como feridas, que mesmo depois de tratadas, deixam cicatrizes. Seja na vida pessoal, seja em situações envolvendo pessoas jurídicas e o poder públicos, o ideal é que o conflito termine em algum momento. E quando ele acabar, é ainda mais importante que não haja vencedores e, se houver alguém nesta posição, que estas pessoas ou instituições sejam bons vencedores, com habilidade de busca do entendimento.
Nesta edição trataremos de um conflito que ceifou esperanças e deixou grandes cicatrizes. A paralisação das obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados (UFN3) da Petrobras, em Três Lagoas, em 2015 mudou todo o cotidiano de uma cidade e também de uma importante região de Mato Grosso do Sul. A interrupção do projeto fez com que os sonhos de milhares de pessoas fossem transformados em pesadelo. A esperança deles – que contagiava os que estavam ao redor – tornou-se uma frustração, que, na mesma medida, também foi contagiante.

No início deste ano, quando o Supremo Tribunal Federal (STF) liberou a venda das subsidiárias da Petrobras sem a necessidade de aprovação de lei no Congresso Nacional, o primeiro passo para a resolução desse conflito foi dado. Agora, conforme noticiamos em reportagem publicada adiante, o segundo passo – talvez um dos mais importantes – também ocorreu. Trata-se de acordo trabalhista que vai gerar indenizações para os milhares de trabalhadores prejudicados. O valor é milionário. Mas o que mais importa em tudo isso é que a justiça está sendo feita. Aparentemente, não há nada melhor para pôr fim a um conflito do que a busca de soluções justas que reparem, na medida do possível, os danos causados pelas tensões típicas dessas desavenças.

Este acordo é o que faltava para acelerar a compra da UFN3 pela empresa russa Acron, que terá como sócia a petroleira boliviana YPFB. Mas este acordo também é o que faltava para que o sonho iniciado no início da década na região de Três Lagoas termine bem, e não como um pesadelo, como chegou a ser cogitado nos momentos mais difíceis do conflito. 
A unidade de fertilizantes, que produzirá ureia, potássio e gás carbônico, a partir da molécula do gás natural, poderá ser não apenas mais uma indústria, mas uma multiplicadora de empresas em Mato Grosso do Sul. Ela possibilitará a vinda de grandes misturadoras de fertilizantes, empreendimentos do setor de alimentação e, até mesmo, da indústria farmacêutica. A esperança de que tudo isso ocorra no médio prazo está de volta, e a mediação desses conflitos pela Justiça do Trabalho foi importante.

Esse artigo foi útil para você?
Os comentários abaixo são opiniões de leitores e não representam a opinião deste veículo.

Leia Também

CORREIO DO ESTADO

Confira o editorial desta terça-feira: "O pragmatismo sempre vence"

ARTIGO

Flavio A. Sandi: "Os limites e a liberdade na educação"

Professor
OPINIÃO

Renata Bento: "Estamos mais ansiosos"

Psicóloga
Roberta D'Albuquerque: "Nove mil, quinhentos e noventa e nove reais"
ARTIGO

Roberta D'Albuquerque: "Nove mil, quinhentos e noventa e nove reais"

Mais Lidas

Gostaria-mos de saber a sua opinião