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Campo Grande - MS, sábado, 22 de setembro de 2018

CORREIO DO ESTADO

Confira o editorial desta segunda-feira: "Meio ambiente é só discurso"

12 MAR 2018Por 03h:00

Estamos curiosíssimos para saber como o Imasul vai lidar com estes donos dos 120 mil hectares degradados do Estado. A chance de os proprietários saírem impunes é enorme.

Lá se vão quase 30 anos, desde o início da década de 1990, quando a preocupação com a preservação do meio ambiente passou a pautar a agenda não só dos principais países do mundo, mas também das empresas e dos cidadãos. Ao longo de todo este período, sobretudo nas primeiras décadas, criou-se uma consciência de que o homem deve preservar o meio em que vive, para garantir o seu futuro e de seus descendentes.

Não se pode negar que existiram avanços nas ações de preservação e de sustentabilidade desde a década de 1990. Os meios de produção passaram a consumir menos água e menos energia. As emissões de gases que estavam, aos poucos, acabando com a camada de ozônio de nossa atmosfera, foram ligeramente reduzidas.

Mais tarde tivemos ainda mais melhorias, sobretudo no que diz respeito à busca por eficiência energética e, mais recentemente, pela retomada de processos orgânicos e naturais na indústria.

O grande problema é que se faz necessário um novo ajuste na consciência ambiental. Ultimamente, falar em preservação é praticamente uma unanimidade de discurso, porém muito pouco do que se fala é levado para a prática. Isso é lamentável. Meio ambiente virou marketing. Peça de propaganda.

Grande exemplo desta consciência hipócrita é o que ocorre com as áreas de preservação permanente das propriedades rurais. Só em Mato Grosso do Sul são pelo menos 120 mil hectares totalmente degradados (confira reportagem nesta edição), conforme levantou o Instituto de Meio Ambiente do Estado (Imasul).

Porém, se alguém perguntar a qualquer um destes proprietários, certamente a maioria deles vai defender maior preservação do meio ambiente. A julgar por suas práticas, esta defesa certamente seria nas propriedades dos outros.

Mas este número expressivo de áreas degradadas nas propriedades rurais de todo o Estado traz ao debate parte da origem do problema: a impunidade ambiental. Os efeitos práticos das autuações e das multas aplicadas são quase nulos. De nada adianta órgãos de fiscalização, como o próprio Imasul ou o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama), emitirem multas milionárias, se elas não são integralmente pagas.

Estamos curiosíssimos para saber como o Imasul vai lidar com estes donos dos 120 mil hectares degradados do Estado. A chance de os proprietários saírem impunes é enorme. Falando em impunidade, o (mau) exemplo vem de cima, e bem lá do alto. O Supremo Tribunal Federal (STF) anistiou recentemente os proprietários rurais que desmataram ilegalmente suas propriedades até 2008. Graças à Suprema Corte, quem contribuiu para a devastação das matas, não será punido. Quem levou a pior? Além de toda a população – sobretudo aquelas pessoas que não têm títulos rurais em seu nome, mas dependem do meio ambiente, por exemplo, para respirar e beber água –, também os proprietários rurais conscientes (eles existem). Uma pena que as autoridades constituídas, que no discurso defendem o meio ambiente, na prática, apoiam a destruição do meio em que vivemos.

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