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CORREIO DO ESTADO

Confira o editorial desta segunda-feira:
"Ensino superior em último plano"

26 JUN 18 - 03h:00

O curso de Medicina da Uems mostra como o ensino superior é tratado no Brasil. A formação de jovens vem em primeiro lugar no discurso eleitoral e na hora de cortar gastos.

Audiência Pública realizada na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul mostrou a triste situação da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (Uems), que, embora ostente um prédio bonito, sofre com a falta de investimentos, estrutura e professores. O evento era para debater a situação do curso de Medicina da universidade, que teve até greve de professores e alunos em protesto contra a precariedade na instituição. A situação do curso de Medicina da Uems serve de exemplo de como o ensino superior é tratado no Brasil. A formação dos jovens vem em primeiro lugar em dois momentos: no discurso eleitoral e na hora de cortar gastos.

Esse processo de sucateamento do ensino público superior não é exclusivo de Mato Grosso do Sul. Na prática, funciona da seguinte forma: em momentos de crise econômica e necessidade de segurar os gastos da máquina pública, a educação é a primeira que sente os cortes na carne – muitos deles, verdadeiras mutilações. 

No caso da Uems, foram cortados mais de R$ 50 milhões do orçamento para este ano, que, de R$ 252 milhões solicitados pela reitoria, chegaram a R$ 207 milhões, aproximadamente, valor que só aumentou em R$ 7 milhões por conta das emendas particulares. Do outro lado, a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) viu os recursos para custeio e investimentos encolherem 40% e 60%, respectivamente, numa redução de aproximadamente R$ 70 milhões, como já foi mostrado em diversas reportagens do Correio do Estado. 

O resultado: a suspensão temporária das aulas do curso de Medicina da Uems em Campo Grande, fato que desencadeou a audiência pública, por sinal. A pouco mais de 300 quilômetros de distância, em Três Lagoas, a UFMS viu-se obrigada a fechar o curso de Medicina recém-implantado por falta de infraestrutura. Lançado em 2015, em uma ação do governo federal para descentralizar a medicina no País, o curso precisava de um Hospital Regional, mas as obras do projeto começaram só agora e vai levar tempo até que o prédio esteja pronto para funcionar como hospital-escola. 

Sem planejamento por parte dos governos estadual ou federal, reitores de universidades são obrigados a ficar com o pires na mão em busca de recursos, situação que afetou diretamente os acadêmicos de baixa renda. Com a recessão econômica, bolsas e pesquisas foram reduzidas a índices irrisórios em todo o País. Consequentemente, estudantes foram obrigados a abandonar seus estudos em um momento em que a taxa de desemprego atinge níveis históricos. Sem qualificação, esses jovens, se por acaso conseguirem emprego, serão em trabalhos subaproveitados. O círculo vicioso, cujos efeitos devastadores serão sentidos em um futuro próximo, está formado.

Em momentos de crise, a pesquisa e a inovação, que poderiam ser um diferencial, são reduzidos à a pífias cifras. A Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia de Mato Grosso do Sul (Fundect), por exemplo, diminuiu de R$ 15,9 milhões (orçamento de 2014) para R$ 4 milhões, recurso previsto para este ano. O resultado é a evasão para outros países. Não são as condições climáticas que levam tantos pesquisadores brasileiros (e suas pesquisas) para países desenvolvidos. A partida deles está na busca por estrutura e apoio necessários para realizar suas pesquisas. Coisa que já era difícil por aqui e que piora mais ainda com a crise. 

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