sábado, 21 de julho de 2018

CORREIO DO ESTADO

Confira o editorial desta quinta-feira: "Reviva: oito ou oitenta"

17 MAI 2018Por 03h:00

No Reviva Campo Grande, não existe meio-termo: ou dará muito certo ou desastrosamente errado, matando de vez o comércio da região central.

 

No começo dessa semana, foi lançado oficialmente o projeto milionário de revitalização do centro de Campo Grande. Com camisetas customizadas para o evento, gestores e políticos se reuniram na Avenida Fernando Corrêa da Costa, cruzamento com a Rua 14 de Julho, para o lançamento da revitalização orçada em R$ 49,2 milhões somente nesta etapa. O Reviva Campo Grande, como o próprio nome diz, pretende melhorar o paisagismo da área central e está previsto para começar no próximo mês. A primeira etapa – até a Avenida Afonso Pena – deverá ser concluída em dezembro deste ano. A ideia, planejada há mais de dez anos, é transformar a via em um shopping a céu aberto e recuperar a região, hoje, de aspecto abandonado.

Pelo impacto gerado e pelo volume de recurso empreendido, essa é uma proposta cujo resultado será sem meios-termos: ou dará muito certo, cumprindo o prometido de revitalizar a área, ou desastrosamente errado, matando de vez o comércio da região. Os impactos serão muitos durante a obra. São 75 mil pessoas residindo no Centro, número que salta para 350 mil pessoas passando por ali todos os dias, conforme mostrou reportagem do Correio do Estado publicada na edição desta quarta-feira.

É essencial que a administração municipal tenha planejamento eficaz de como será o processo de transferência desse fluxo de pessoas para outras vias sem que haja prejuízo ao trânsito e aos lojistas. Essa preocupação deve se estender também após a obra. No processo de execução do projeto, os transtornos são muitos: linhas de ônibus do transporte coletivo desviadas para outras ruas e trânsito ainda mais caótico nos horários de pico. É preciso também descobrir meios de garantir que os clientes tenham acesso às lojas.

Depois de concluído, se ficar dentro do prazo até dezembro deste ano, o trecho poderá virar modelo, espécie de termômetro para aferir a reação dos usuários. Para garantir que “a temperatura marcada seja agradável”, porém, será necessário mais que a revitalização. Afinal, depois de renovada, a via, por exemplo, perderá vagas de estacionamento, hoje já tão escassas. A supressão dessas, o que levaria ao esvaziamento das lojas, foi uma das maiores críticas ao Reviva Campo Grande de instituições ligadas ao comércio varejista. Agora, ao menos a Associação Comercial de Campo Grande (ACICG) parece ter adotado discurso mais ameno, defendendo a importância do projeto para a recuperação da região. 

O projeto, se executado como previsto, pretende mudar a cara do Centro. Só não se sabe se o período escolhido foi dos melhores. Anos de crise política e econômica, aliados às gestões de Alcides Bernal e Gilmar Olarte, custaram caro à capital sul-mato-grossense.  Campo Grande chegou a uma situação crítica, com ruas praticamente intransitáveis, sem radares, lombadas eletrônicas e até mesmo semáforos – falando somente de trânsito e sem contar uma lista extensa de obras inacabadas espalhadas por todos os cantos. A pergunta que se faz é se seria necessário investir tanto empenho em uma obra desse porte enquanto o restante da cidade está à míngua. 

O fato é que o projeto foi lançado e agora é preciso garantir que ele seja executado dentro do cronograma previsto (raridade no Brasil), sem tanto impacto à população e que, principalmente, cumpra o seu papel, que é de dar vida à região central, hoje abandonada.

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