Quarta, 13 de Dezembro de 2017

CORREIO DO ESTADO

Confira o editorial desta quinta-feira: "Policiamento sazonal"

7 DEZ 2017Por 03h:00

Seria bom que a Polícia Militar reforçasse o policiamento no Estado não apenas durante o mês de dezembro, no período de festas, mas em todos os outros meses do ano.

Sempre, durante o fim de ano, a Polícia Militar, em conjunto com a Câmara de Dirigentes Logistas de Campo Grande (CDL), anuncia reforço no policiamento no centro da cidade. Neste ano, por exemplo, a expectativa é que a Capital conte com  300 policiais a mais na região central. No interior do Estado, conforme informações detalhadas em reportagem nesta edição, a mesma PM também deve aumentar a segurança nas áreas comerciais, com outros 600 militares.

A presença de muitos policiais para fazer a segurança dos cidadãos nas ruas nunca será demais. Só quem não gosta de mais proteção e garantia da ordem pública, são os bandidos. E é muito bom que estes fiquem distantes dos trabalhadores nesta época do ano, que por causa das datas festivas, usam a renda extra com 13º salário e aumento do faturamento (para os que não são assalariados) para presentear amigos, familiares e preparar eventos. Entre a primeira semana de dezembro e a primeira semana de janeiro, mais de R$ 2 bilhões circularão na economia de Mato Grosso do Sul com o pagamento dos salários de novembro, dezembro e o 13º. É importante que o cidadão sinta-se protegido neste período. Mas não só agora.

Passada a justificativa do reforço do policiamento em Campo Grande e no interior do Estado, um outro questionamento deve ser feito às autoridades responsáveis pela segurança pública. Por que o policiamento é reforçado somente nesta época do ano? E nos outros meses? Os cidadãos não merecem mais segurança, rondas, viaturas nas ruas, mais policiais nas proximidades de bancos, estabelecimentos comerciais e, sobretudo, bairros periféricos onde a violência tem índices maiores?

Em um ano em que pouquíssimos policiais militares ingressaram na corporação, e que mais de 10% de seu efetivo foi para a reserva remunerada por temor dos efeitos da Reforma da Previdência, fica difícil entender a matemática empregada pela Polícia Militar para explicar o reforço no policiamento. Aonde estavam durante os outros onze meses do ano estes outros 900 militares que ajudarão a população a sentir-se mais segura em dezembro? Muitos deles, como a instituição admite, atuaram em funções administrativas, ou ficaram cedidos a outras instituições. Esta justificativa gera outra indagação: se a comunidade precisa de policiais nas ruas, e o efetivo da PM é reconhecidamente escasso, porque eles ainda estão nos gabinetes ou nas repartições públicas? O que os segura nestas funções?

O ano de 2017 será encerrado com a ida de aproximadamente 600 policiais militares à reserva remunerada. Desde 2015, o número chega a 1.500, quantia que representa um duro desfalque às forças de segurança. A Operação Boas Festas, lançada ontem, e que começa na próxima sexta-feira, deve ser aplaudida. Mas bom seria se este reforço fosse para o ano inteiro, e não para apenas um mês.
 

Leia Também