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CORREIO DO ESTADO

Confira o editorial desta quinta-feira: "Pensando no futuro"

6 JUN 19 - 03h:00

Os acordos entre Mato Grosso do Sul e Bolívia são importantes para o futuro. Garantem, no mínimo, que o Estado fique menos vulnerável a crises econômicas.

Uma pessoa quando pensa na própria vida normalmente não considera somente o que é imediato. Claro, o presente é importante, porque é o agora e porque nos oferece grandes demandas e desafios. Pensar no futuro e avaliar erros e acertos do passado, porém, é algo que nos distingue dos animais e, em suma, nos faz humanos. Se temos muitos avanços nos tempos atuais e se criticamos algumas medidas recentes, como possíveis retrocessos, é porque temos a consciência suficiente para fazer este tipo de comparação.

Só a humanidade consegue projetar o futuro e trabalhar o recurso da memória e da consciência, de modo a tornar seu cotidiano mais leve. É muito humano pensar adiante e fazer planos. O poder público, criado por humanos e para humanos, é uma extensão desta necessidade de planejamento.

Por mais que os dias atuais sejam desafiadores para qualquer esfera governamental do Brasil – União, estados e municípios –, não se deve negligenciar os próximos. O futuro depende dos atos do presente. Claro, os desafios contemporâneos estão quase todos relacionados à dificuldade para se retomar a atividade econômica. Mas são algumas ações de agora que poderão tornar os tempos vindouros mais leves.

Vejamos, por exemplo, a tentativa do governo de Mato Grosso do Sul de estabelecer um canal direto de negociação com o governo da Bolívia para o fornecimento de gás natural. A iniciativa poderia muito bem ser articulada pelo governo federal, o qual tem legitimidade e soberania para firmar relações internacionais, mas restou às autoridades locais, de um estado da região de fronteira, articular o acordo, que, conforme as notícias desta semana, está avançando. 

Torcemos para que a iniciativa, que deverá estar totalmente concretizada até 2025, tenha êxito. Em primeiro lugar, porque leva mais uma alternativa de renda e desenvolvimento para as cidades de Corumbá e Ladário. A região, porta de entrada no Brasil do gás natural importado da Bolívia, precisa de um “gás novo”, uma vez que outras atividades, como a mineração, por exemplo, já não geram os resultados que outrora proporcionaram aos dois municípios.

Será um investimento de US$ 300 milhões (mais de R$ 1 bilhão) e ainda deverá ajudar na geração de energia para as duas cidades, consideradas por aqueles que estão em outras regiões do Brasil e de Mato Grosso do Sul muito afastadas. 

Em segundo lugar, a conclusão desta usina termelétrica garante um volume maior de importação de gás natural do nosso vizinho andino e, consequentemente, melhora a arrecadação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) do Estado. Recentemente, a redução dos recursos oriundos do gás natural piorou ainda mais a situação fiscal do Estado.

Os acordos entre as autoridades de Mato Grosso do Sul e da Bolívia são importantes para o futuro. Garantem, no mínimo, que o Estado fique menos vulnerável a crises econômicas.

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