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CORREIO DO ESTADO

Confira o editorial desta quinta-feira: "Mais tempo sem solução"

7 NOV 19 - 03h:00

Ao invés de apresentar plano para conter gastos e melhorar a produtividade, a nova diretoria do Hospital Regional anunciou reforma e ampliação do prédio.

A reestruturação da saúde pública no Brasil talvez seja o maior desafio para governantes e gestores na atualidade. O Sistema Único de Saúde (SUS), visto por alguns como deficiente e por outros como “mãe”, há anos precisa de atualização dos valores pagos por procedimentos – tanto para profissionais como para estados e municípios. Ao passo que a Administração Federal busca atender ações emergências, como o recorrente surto de sarampo, cabe aos governos locais “se virar como dá” para resolverem outras questões.

Este é o caso do Hospital Regional de Mato Grosso do Sul (HRMS), que foi construído para receber casos de alta complexidade com foco nos pacientes vindos do interior do Estado, porém, há anos se tornou um verdadeiro “postão”. Essa finalidade se concretizou  e permanece, inclusive com aval e orientação da atual gestão estadual.

Envolto em problemas – desde falta de insumos, materiais, medicamentos e até de profissionais –, a unidade é mais onerosa do que manter, por exemplo, a contratualização anual com a Santa Casa de Campo Grande (que custa R$ 294 milhões) e apresenta menos resolutividade, de acordo com autoridades da área de saúde.

Enquanto tenta se reinventar, a unidade enfrenta inúmeras adversidades. A mais recente é relativa ao questionamento na Justiça da morte de 1.140 pacientes em apenas oito meses, dos quais 115 tinham menos de 40 anos. Toda a situação provocou mudança na gestão do HRMS, a terceira no ano.

Em vez de apresentar um plano para conter gastos e melhorar a produtividade, a nova diretoria – pela primeira vez o cargo máximo ocupado por uma mulher, a médica Rosana Leite – e a Secretaria de Estado de Saúde (SES) anunciaram a reforma e ampliação do prédio. A intenção da obra era antiga, porém eram apenas planos.

A intervenção milionária deverá custar aproximadamente R$ 55 milhões. Parte dos recursos, de acordo com a SES, deve vir do Ministério da Saúde, inclusive com verba para aquisição de equipamentos. A previsão é de que tudo esteja pronto até o fim de 2022. Até lá, há possibilidade de o Estado aprimorar a ideia de entregar a gestão da unidade para a iniciativa privada, como ocorre em Ponta Porã.

Em agosto deste ano, diante dos problemas recorrentes no HRMS, a SES anunciou, após consultoria do Hospital Sírio-Libanês de São Paulo, que unidade deveria passar por “grande mudança estrutural e na administração” e pode ser privatizada, tornando-se uma parceria público-privada ou uma organização social (OS). Na época, a informação foi confirmada pelo secretário Estadual de Saúde, Geraldo Resende, e o então diretor-presidente do hospital, Márcio Eduardo de Souza Pereira. Com a nova diretoria, nada se falou a respeito; talvez esta seja a última tentativa de salvar, com meios próprios, a gestão do hospital.

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