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Campo Grande - MS, sábado, 15 de dezembro de 2018

CORREIO DO ESTADO

Confira o editorial desta quinta-feira: "Incerteza na pecuária"

19 OUT 2017Por 03h:00

O abate de bovinos gera receita imprescindível para os cofres estaduais, motivo que deveria preocupar as autoridades.

O setor da pecuária, um dos mais importantes da economia sul-mato-grossense, vive dias de incerteza. Suspensão dos abates em todas as sete unidades dos frigoríficos JBS do Estado, conforme anunciada anteontem por pecuaristas e pessoas ligadas à empresa, agravaria ainda mais este momento de insegurança nas negociações de compra e venda de bovinos. Em escala pouco menor que em um passado recente, o abate de bovinos ainda gera receita imprescindível para os cofres estaduais, motivo que deveria levar preocupação às autoridades.

Associações de pecuaristas, e mesmo dirigentes do governo, insistem na tese do dinamismo do mercado e que, mesmo com o possível enfraquecimento do grupo JBS, os abates continuariam, porque a demanda por carne, em todo o mundo, é contínua. Esta argumentação, pertinente, diga-se de passagem, é somente uma face - a mais otimista delas - do prisma de consequências da eventual saída repentina da JBS do mercado. Há que se considerar os outros efeitos que, pelo menos num curto prazo, gerariam impacto negativo na economia local.

Não se pode ignorar que a suspensão dos abates no JBS causaria considerável desemprego, e geraria efeito cascata em toda a cadeia da pecuária: menos dinheiro circulando entre os produtores rurais, redução do preço da arroba do boi motivada pelo aumento da oferta e, consequentemente, menor arrecadação com o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). Isso tudo ocorreria em um ano em que as perdas de receita com o tributo sobre a importação de gás natural já colocaram a administração estadual em dificuldades financeiras.  Uma paralisação momentânea do setor frigorífico nesta época é tudo que o governo não deseja.

Aparentemente, a administração estadual não tem um plano B para a cadeia da pecuária. É imprescindível que, neste momento, exista diálogo entre governo, deputados estaduais que integram a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) criada para investigar a renúncia fiscal concedida ao grupo JBS e representantes da empresa. Um pacto entre todos os envolvidos na investigação, neste momento, poderia levar estabilidade a pecuaristas e aos demais trabalhadores de toda a cadeia produtiva de carne. Em Mato Grosso do Sul, para se ter uma ideia, os frigoríficos da holding empregam 15 mil pessoas, e geram, aproximadamente, outros 60 mil postos de trabalho indiretos. Números que não podem ser esquecidos.

É importante ressaltar o momento conturbado na pecuária sul-mato-grossense não é culpa do governo e da CPI da Assembleia Legislativa. Os problemas enfrentados localmente decorrem da gestão dos comandantes do grupo JBS, os irmãos Wesley e Joesley Batista. O envolvimento deles em investigações que envolvem lucro ilegal no mercado financeiro, tráfico de influência, entre outros crimes, é que levou instabilidade ao setor. No momento, estes executivos têm se preocupado mais em se defender das acusações, do que administrar seus negócios.
 

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