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Campo Grande - MS, terça, 16 de outubro de 2018

CORREIO DO ESTADO

Confira o editorial desta quinta-feira:
"Fronteira sempre frágil"

11 OUT 2018Por 03h:00

A droga chegar aos centros consumidores e o cigarro contrabandeado ser comercializado por camelôs são sinais de que as fronteiras se mantêm abertas aos criminosos.

Enquanto o consumo de drogas existir nos grandes centros brasileiros, não haverá como afirmar que o combate ao tráfico de entorpecentes nas fronteiras com países como Paraguai e Bolívia está mais intenso. À medida que continuar a comercialização ilegal nas calçadas, nos camelôs e nas praças de cigarros contrabandeados do mesmo Paraguai, também não será possível cogitar que as fronteiras estejam mais protegidas. Esta é a equação simples.

Diante do comércio ilegal de maconha, cocaína, produtos contrabandeados, como cigarros, anabolizantes e agrotóxicos, é possível afirmar, sem nenhuma dúvida, que fracassou o combate a todos estes movimentos dos “fora da lei” para a distribuição destes objetos do crime. E este fracasso passa pela omissão das autoridades com a extensa fronteira do Estado de Mato Grosso do Sul com os países vizinhos do Brasil.

Nada mudou nos últimos 30 anos no que diz respeito à repressão ao tráfico e a outros crimes de fronteira. Pode até ser que não seja essa causa, mas também não se pode negar que existam interesses em combater os traficantes: não aqueles que são flagrados com droga nas rodovias e aeroporto, mas aqueles que moram em casas de alto padrão e utilizam carros de alto luxo. Estamos falando dos chefões.

Em reportagem nesta edição, mostramos que, mais uma vez, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) fez um bom trabalho e apreendeu 119,5 quilos de cocaína em três caminhonetes Toyota Hilux. Importante notar um detalhes desta ocorrência: a droga estava escondida em veículos muito utilizados por produtores rurais do Estado e na região onde a droga foi apreendida, a BR-060. A ideia era não levantar suspeita. Ponto para os policiais rodoviários.

Estas apreensões, mesmo as de grandes volumes, como a citada acima, são esporádicas e fruto do trabalho de policiamento ostensivo e repressivo. Não há a menor dúvida de que este tipo de policiamento deve ser reforçado. Não para reprimir, mas intimidar os criminosos. Já passou da hora de o governo federal cumprir a promessa de décadas e aumentar o efetivo das forças federais na fronteira. Mas só isso não basta. É preciso inteligência.

Nos últimos dois anos, ganhou força o discurso do enfrentamento. Não somente pelo aumento da insegurança e da violência, mas também por um certo anseio por “confrontar” os criminosos na base do tiro. Devemos lembrar que a criminalidade não se enfrenta com tiroteios e extermínio, mas com muita inteligência: investimento em polícia científica e em programas para combater crimes, como o de lavagem de dinheiro. Também é preciso reforçar o lado investigativo das polícias. 

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