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Campo Grande - MS, sábado, 17 de novembro de 2018

CORREIO DO ESTADO

Confira o editorial desta quinta-feira: "Divergências e descrédito"

31 AGO 2017Por 03h:00

Para o cidadão que acompanha o repetido “prende/solta” em operações ficam as indagações e a sensação de insegurança.

A prisão da cúpula do Departamento Estadual de Trânsito de Mato Grosso do Sul (Detran/MS) e de empresários que prestam serviços de informática durou apenas algumas horas. Ainda na madrugada, oito dos 12 detidos foram colocados em liberdade  por meio de habeas corpus concedido pelo desembargador João Maria Lós. A Operação Antivírus, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), trouxe à tona denúncias graves envolvendo crimes de corrupção ativa e passiva, fraude em licitação, peculato, organização criminosa e lavagem de dinheiro.  Para o cidadão que acompanha o repetido “prende/solta” em operações ficam as indagações e a sensação de insegurança diante das decisões contraditórias, dadas às várias possibilidades de interpretações da norma jurídica. 

O desembargador concedeu o habeas corpus, mas manteve afastados das funções o diretor-presidente do Detran, Gerson Claro, o diretor-adjunto Donizete Aparecido da Silva, o chefe de departamento Erico Mendonça, o diretor de administração Celso Braz de Oliveira Santos e o diretor de tecnologia Gerson Tomi. Dessa forma, infere-se que permanece o risco de interferências dos investigados. Afinal, é inegável que será mais difícil monitorar que esse contato não vai acontecer. O controle não pode ficar na base da confiança. Ainda, há o agravante que os contratos de informática permanecem vigentes, a exemplo da Digithobrasil (nome fantasia Digix), que atua há anos em diversas secretarias estaduais, por meio de contratos celebrados com valores altíssimos. 

A gestão de Reinaldo Azambuja - já sufocada em outras denúncias, a exemplo do esquema de propinas revelado pelo dono da JBS - precisa de mais celeridade para adotar providências. Em meio a hecatombe, o governador cumpria agenda pública em São Paulo e limitou-se a informar, em nota encaminhada à imprensa, que determinou à Procuradoria-Geral do Estado e à Controladoria-Geral do Estado rigoroso acompanhamento da operação. Ainda ontem pela manhã, o departamento seguia com os procedimentos normais de atendimento ao público, mas sem os diretores. Situação que precisa ser regularizada para que pendências não comecem a se acumular causando prejuízos à população. 

Infelizmente, os sul-mato-grossenses têm acompanhado nomes repetidos nas operações policiais, sem que punições mais severas sejam aplicadas. O ex-deputado Ary Rigo foi gravado admitindo pagamento de mensalão e até integrantes do Judiciário, durante a Operação Uragano. Depois do escândalo, permanece o silêncio. Não houve qualquer condenação. Apenas a população deu sua sentença e ele não conseguiu mais reeleição. Ainda, os contratos de informática, com valores altíssimos, permanecem quase sempre nas mãos das mesmas empresas, mesmo estando no foco de outras investigações de corrupção, a exemplo da Lama Asfáltica. 

Hoje o cenário é de descrédito e incertezas, pois esquemas descaradamente suspeitos são revelados, mas as punições jamais ocorrem na mesma proporção aos danos causados. Até, agora, o desfecho tem sido vergonhoso. 
 

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