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Campo Grande - MS, quinta, 15 de novembro de 2018

CORREIO DO ESTADO

Confira o editorial desta quinta-feira:
"Corrupção cotidiana"

8 NOV 2018Por 03h:00

Sobre a cobrança de propina em terminais da Capital: é um flagrante caso de concorrência desleal em que poucos ganham, talvez somente os servidores públicos.

Há algumas décadas, talvez há mais de um século, que o cidadão brasileiro busca uma maior aproximação entre o discurso de respeito às leis que predomina na sociedade, bradado de forma estridente no senso comum, e a prática das relações cotidianas, seja ela entre pessoas, seja entre cidadãos e Estado. Já há algum tempo que muito se ouve aos quatro cantos de que o brasileiro anda cansado de corrupção e que clama por mais ordem e menos caos. Muito se ouve e pouco se faz para mudar isso, e não estamos falando de sentenças judiciais que condenam políticos, parte das pessoas e instituições que orbitam ao redor deles, usufruindo das vantagens do submundo de acordos e conchavos. De nada adianta ações enérgicas no ambiente macro, se o vício permanece no ambiente micro.

Reportagem publicada nas edições de ontem e de hoje mostra que a corrupção continua existindo e, em alguns casos, se traveste de uma certa tolerância com práticas ilegais e irregulares, porém, aceitas em meio a dificuldade que muitos têm de encontrar meios de subsistência. Nos referimos à denúncia de que servidores da Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran) cobram propina para permitir que vendedores ambulantes atuem nos terminais de transbordo.

Em tempos de crise econômica e de alto custo para contratar trabalhadores com carteira assinada, é esperado que o número de pessoas vivendo na informalidade aumente. Também pudera. Em meio a altas de desemprego, é comercializando pequenas mercadorias, que vão de salgados a itens trazidos do Paraguai, que muitos sobrevivem da forma mais digna possível. Mais indigno que tentar sobreviver assim, para a maioria da sociedade, é entrar para o mundo do crime.

Falando em dignidade, o problema da presença dos vendedores ambulantes nos terminais de ônibus não é somente deles mesmos. É problema de quem permite que tal prática ocorra nestes ambientes: os fiscais da Agetran. Pior ainda: aparentemente estes servidores se aproveitam da fragilidade destas pessoas que lançam mão deste comércio informal para sobreviver para obter vantagem financeira.

Em meio a esta prática de cobrança de propina que, no discurso genérico, muitos querem o fim, mas que no cotidiano outros tantos levam adiante, também é penalizado o comerciante que paga corretamente seus impostos e que participou de concorrência pública para poder vender legalmente nos terminais. Não se enganem: normalmente estes pequenos empreendedores padecem das mesmas dificuldades que muitos que estão na informalidade. É um flagrante caso de concorrência desleal, em que poucos ganham, talvez somente os servidores públicos. 

Os comentários abaixo são opiniões de leitores e não representam a opinião deste veículo.

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