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CORREIO DO ESTADO

Confira o editorial desta quinta-feira: “Caos anunciado”

14 MAR 19 - 03h:00REDAÇÃO

A Prefeitura de Campo Grande sabia  da nova epidemia de dengue. Porém, foram poucas as medidas tomadas para atender a demanda

Em  menos de 15 dias, mais de três mil novos casos de dengue foram notificados pela Secretaria Municipal de Saúde. A doença, que já atinge mais de 1% da população da Capital, fez com que a Prefeitura de Campo Grande decretasse situação de emergência para combater a epidemia da doença - foi o único município do Estado a adotar essa medida, que permite, entre outros benefícios, aquisições de materiais e insumos sem a necessidade de licitação, e também que a Capital pleiteie mais recursos do governo federal. Como já divulgado por este jornal, a prefeitura pretende pedir R$ 1,1 milhão ao Ministério da Saúde, mesmo já tendo recebido R$ 24 milhões no ano passado somente para o combate à doença.

O que chama a atenção é que esta era uma epidemia anunciada. Campo Grande sabia que iria enfrentar tal situação e pouco fez, seja para combater a proliferação do mosquito, seja para comportar o aumento da demanda nos postos de saúde em decorrência. O único benefício de se prever o que está à frente para uma administração é poder antecipar-se ao fato. Sabida que haveria uma epidemia de dengue, o município deveria ter preparado um plano que reforçasse, não só as equipes de endemias, mas também a dos profissionais que atendem nos postos de saúde.

Com a média de 200 novos casos a cada 24 horas, - levando em consideração só a média de notificações registrada nos últimos dias, a rede pública de saúde, que já estava com graves problemas em decorrência da falta de médicos, agora vive um caos. O número de atendimentos em algumas unidades de saúde, como mostra reportagem de hoje do Correio do Estado, dobrou. Esse aumento da demanda foi apontado como a causa da demora no atendimento. Até  pouco tempo era a migração de pacientes do Plano de Saúde para a rede pública a causa da demora na fila. O fato é que os dois fatores só vem a piorar um cenário que já era caótico. Esse agravamento se deve ao fator humano. O número de médicos, que já estava aquém do necessário, permanece o mesmo. Hoje, a taxa de efetivação de médicos é de 35% - dos 1.081 profissionais convocados no ano passado, 757 não compareceram. Estranhamente, a estimativa de custo para o controle da dengue, não há pedido de recursos para contratação de pessoal ou qualquer outra medida para efetivo nas unidades de saúde, como redimencionamento ou custo de plantões, muito menos para a ampliação de serviços com a implantação de unidades de urgência.

O trabalho da prefeitura tem sido voltado para o combate ao mosquito, medida importante, mas, com uma epidemia já confirmada passou da hora de a prefeitura pensar também em atendimento aos pacientes.

 

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