CORREIO DO ESTADO

Confira o editorial desta quinta-feira: "Autofagia estatal"

Confira o editorial desta quinta-feira: "Autofagia estatal"
23/05/2019 03:00 -


O Brasil só reencontrará o caminho do crescimento quando puder voltar a investir, e não tiver mais que usar grande parte do que arrecada para pagar salários acima da média.


Para a cura de alguns males, alguns tratamentos são dolorosos. O Brasil vive uma crise econômica grave, paralela a uma crise política, cuja polarização de falta de entendimento prejudica a solução dos problemas financeiros da nação. Para se resolver os problemas econômicas pelos quais o país atravessa há cinco anos, não basta apenas uma reforma no sistema previdenciário, embora ela seja necessária. Em primeiro lugar, é preciso um clima de tranquilidade e diálogo entre todos os brasileiros, que torne possível a criação e adoção de medidas para resolução do que nos tem causado tantos dissabores. 

O Brasil somente reencontrará o caminho do crescimento quando solucionar problemas estruturais que vão muito além do pagamento de pensões e aposentadorias, sobretudo as de valor mais baixo. O problema é muito maior. A questão é de Justiça e transparência. O esforço do trabalho das pessoas têm de valer a pena. Caso contrário, haverá sempre a comparação entre os trabalhadores da iniciativa privada e do poder público.

Em reportagem publicada na edição de ontem, mostramos que o salário dos servidores públicos de Mato Grosso do Sul é, em média, 144% maior do que os que fazem função similar na iniciativa privada. Para melhorar a situação do oásis chamado serviço público, há também outras regalias como aposentadoria com valor integral do salário, mais folgas em fins de semana e feriados e estabilidade do emprego. O que banca o conforto do serviço público? Os impostos pagos por todos, servidores e trabalhadores da iniciativa privada. 

A fuga de capital estrangeiro nos últimos anos, a redução da liquidez da economia, o contingenciamento de gastos do governo federal, entre outros fatores, geraram um travamento da economia. Com pouco dinheiro circulando, há menos pessoas físicas e jurídicas pagando impostos, e pouquíssimos investimentos, sejam eles feitos por pessoas do setor público ou do setor privado.

Atualmente, muito mais da metade do que o poder público arrecada é destinada exclusivamente ao pagamento de salários. Sobra muito pouco para melhorar a vida da população, literalmente. É desalentador receber notícias de cortes, seguidos de cortes em educação, saúde e pricipalmente infraestrutura. Em relação ao alto volume de recursos utilizados para o pagamento de salários e benefícios, pouco se fala e quase nada pode ser feito. 

A máquina pública, como já afirmamos, precisa ser justa. Se não houver uma maneira de se arrecadar mais, investir mais e pagar salários proporcionais ao que o restante da população recebe, o estado caminhará para a autofagia.
 

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Felpuda


Princípio de "rebelião" política no interior de MS, fomentada por grupo interessado em tomar o poder, não prosperou. Quem deveria assumir o "comando da refrega", descobriu que, além da matemática ser ciência exata, há "prova dos nove". Explica-se: é segunda suplente, pois não conseguiu votos necessários nas últimas eleições, mas assumiu o cargo porque a titular licenciou-se, assim como o primeiro suplente. Caso contrarie a cúpula, seria aplicada a tal prova e, assim, "noves fora, nada".