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CORREIO DO ESTADO

Confira o editorial desta quarta-feira: "Violência deve ser combatida"

15 MAI 19 - 03h:00

As políticas de combate ao crime em Mato Grosso do Sul devem ir muito além da repressão tráfico de drogas para estados. Deve-se combater a violência urbana.

Todos os dias, em nossa página reservada às ocorrências policiais, mostramos casos de violência urbana. O tema é normalmente ofuscado em Mato Grosso do Sul, estado onde organizações criminosas de traficantes que abastecem outras regiões brasileiras são atuantes e onde as apreensões são as mais volumosas do País.

Classificado como um corredor do tráfico de drogas pelas autoridades policiais, ficou convencionado, ainda que tacitamente, que o maior problema de segurança pública do Estado é a passagem de entorpecentes para outras cidades do Brasil. De fato, a maconha e a cocaína que são transportadas pelas rodovias de Mato Grosso do Sul abastecem grandes centros como São Paulo e Rio de Janeiro e, normalmente, estão ligadas ao tráfico por lá. Ocorre que a força do contrabando de ilícitos por aqui leva as autoridades policiais a ajustarem o foco no estancamento e retenção de entorpecentes aos grandes centros, enquanto a segurança pública do cotidiano fica em segundo plano.

Pudera! Os números das apreensões são vultuosos. Só neste ano, por exemplo, a Polícia Federal apreendeu mais de três toneladas de cocaína em território sul-mato-grossense, quantia que se equipara ao volume retido no ano passado. Nós, da imprensa, registramos estes feitos e comprovamos o status de corredor. Mas, junto aos policiais, devemos fazer uma autocrítica e também ajustarmos o foco para a criminalidade que ocorre sob nossos olhos, que, em muitos casos, ceifa vidas e acaba com o patrimônio das pessoas.

Nesta edição, apresentamos dois casos destes extremos: o assassinato de um motorista de aplicativo e o desmantelamento de uma quadrilha de traficantes na fronteira. Duas perspectivas sobre a criminalidade. No caso dos assassinatos e assaltos ocorridos na zona urbana, o porte e a posse de armas pelas possíveis vítimas – que estão sendo flexibilizados agora –, por si só, não são suficientes. Sem entrar no mérito sobre a necessidade ou não de expandir o uso das armas de fogo, é importante frisar que esta medida somente não basta. É preciso uma ação para conter a violência urbana, e no caso dos municípios sul-mato-grossenses, este segmento de delinquência pode ter uma ligação muito distante das volumosas apreensões de cocaína e maconha, que muitos ainda acreditam ser o maior problema a ser combatido no Estado.

O ministério da Justiça e Segurança Pública, ocupado por um ex-magistrado que ficou mundialmente conhecido por combater crimes contra o colarinho branco e a corrupção, precisa de uma política de combate à criminalidade nas cidades que vá além do pacote anticrime que tramita no Congresso. As polícias precisam de mais investimento em inteligência e estrutura. O dever de combater o crime não deve ser terceirizado aos cidadãos; deve ser assumido pelo poder público.

Os comentários abaixo são opiniões de leitores e não representam a opinião deste veículo.

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