Campo Grande - MS, quinta, 16 de agosto de 2018

CORREIO DO ESTADO

Confira o editorial desta quarta-feira: "Sempre as mesmas"

21 JUN 2017Por 03h:00

Repetem-se erros cometidos pelas gestões anteriores e a propagada mudança esbarra na falta de vontade ou de competência.

Nada mudou nos serviços de manutenção de ruas em Campo Grande. As mesmas empresas, sempre as mesmas, continuam dominando trabalhos de tapa-buraco e revestimento nas estradas não pavimentadas. Os contratos foram formalizados ainda em 2012 e, desde então, seguem sendo prorrogados e aditivados. As empreiteiras continuam faturando milhões todos os anos e o poder público age com displicência diante das irregularidades apontadas em investigações. A atual gestão  não conseguiu avançar do patamar da licitação e pode ter complicações caso não consiga fazer as adequações com mais agilidade, considerando que as prorrogações e acréscimos já estão praticamente no limite estipulado em lei. Infelizmente, repetem-se erros cometidos pelas gestões anteriores e a propagada mudança esbarra na falta de vontade ou de competência.

Na gestão de Alcides Bernal eram frequentes as suspensões e impugnações de editais de licitação devido a vícios ou falhas na elaboração dos documentos. Problema que volta a ocorrer. O certame do tapa-buraco foi suspenso pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE) no dia 30 de maio deste ano porque foram constatadas exigências que restringiam a concorrência, dentre elas o depósito antecipado de 1% do valor orçado para o serviço como forma de garantia. Em entrevista concedida ao Correio do Estado no dia 9 deste mês, o secretário municipal de Infraestrutura, Rudi Fiorese, admitiu que utilizou o modelo de concorrências passadas - muitas alvos de questionamentos na Justiça - para elaborar o atual edital.

A probabilidade de contestações era evidente. A ideia de promover mudanças, inclusive para melhorar a qualidade dos trabalhos, foi completamente ignorada. Despreza-se a prioridade de utilizar de maneira correta e eficiente os recursos públicos por ineficiência, comodidade ou atendendo a algum interesse não revelado. O certo é que a prefeitura de Campo Grande teve tempo hábil para elaborar o edital de forma mais detalhada, técnica, visando aprimorar o serviço e até abrir espaço para que outras empresas apresentem resultados melhores. Esse planejamento deveria ter começado ainda na fase de transição, mas pouco foi feito.

Em relação à manutenção de vias não-pavimentadas, não há sequer previsão de quando a licitação será aberta, mesmo com o prazo legal quase no limite. Assim, empresas alvos de reclamações e/ou investigações continuam sendo beneficiadas, a exemplo da Selco Engenharia, que teve o nono termo aditivo assinado pela prefeitura, com valor de contrato de R$ 5,3 milhões. Essa mesma empreiteira protagonizou o escândalo do “buraco-fantasma” em 2015. A gestão de Marcos Trad tem promovido acertos positivos em busca do equilíbrio financeiro, conseguindo até incrementar a receita em tempos de crise. Ainda, há ajustes importantes nas contas da área da saúde, retomada de projetos e de obras paralisadas. Entretanto, nem toda equipe parece estar afinada em busca dos mesmos propósitos.

É inaceitável que a desorganização - que causou tantos prejuízos aos campo-grandenses - volte a se repetir, comprometendo serviços e compras. Não há explicações convincentes para manter serviço de alto custo com qualidade questionável. 

 

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