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CORREIO DO ESTADO

Confira o editorial desta quarta-feira: "Sem abertura para chantagens"

26 JUN 19 - 03h:00

O poder público não pode permitir que a maioria dos atendimentos de alta e média complexidade hospitalar do Sistema Único de Saúde se concentre em entidade de direito privado.

Independência é uma das melhores sensações não somente para uma pessoa, mas também é importantíssima para qualquer forma de organização coletiva. Uma empresa, sobrevive melhor se tiver independência, por exemplo. O princípio, aliás, está ligado diretamente ao capitalismo e economias de mercado. Independência também é fundamental para o estado. A história do Brasil, por exemplo, mudou (e começou, de fato) quando a colônia tornou-se independente de Portugal. O mesmo ocorre com qualquer país. 

Em Campo Grande e em Mato Grosso do Sul, tem faltado liberdade ao poder público para tomar decisões na área de saúde. Sobretudo no que se refere a gestão e atendimento hospitalar. Atualmente, a Santa Casa o maior hospital do Estado, consome nada menos que R$ 258 milhões por ano de de verba pública, e mantém uma tensa relação com prefeitura da Capital e governo de MS. 

Em meio às disputas verbais e financeiras envolvendo a Associação Beneficente de Campo Grande - entidade mantenedora da Santa Casa - e os governantes e seus secretários, está o paciente que precisa de atenção de média e alta complexidade. Alguns procedimentos hospitalares, só são feitos em Mato Grosso do Sul pela Santa Casa. Se o hospital enfrenta uma greve (que é umas ameaça iminente), por exemplo, toda a população é prejudicada. 

Este exemplo é suficiente para demonstrar o quanto o poder público - e toda a população do Estado - está refém da Santa Casa e de sua diretoria. Um cidadão pode ficar sem cirurgia, por exemplo, por causa de tensões entre a administração de um hospital e seus funcionários. Trata-se de uma relação de direito privado, em que os maiores prejudicados são os pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) e as administrações públicas. Isso não pode ocorrer, e a intervenção, não é o caminho mais razoável para o médio e longo prazo.

É preciso que o poder público se liberte da Santa Casa, ou de qualquer outra entidade de direito privado que concentre um grande volume de funções que devam ser desempenhadas pelos gestores de estado e município. Este tipo de relação de dependência dá abertura para chantagens, de ambas as partes.

Por isso é importante a ação dos governantes, de buscar uma alternativa para distribuir os atendimentos de alta e média complexidade hospitalar de Mato Grosso do Sul, como mostramos na edição de hoje. Este caminho é o melhor para todos, inclusive para a própria Santa Casa.

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