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CORREIO DO ESTADO

Confira o editorial desta quarta-feira: "Quantos sustos são necessários?"

13 FEV 19 - 03h:00

Pacientes do Prontomed tiveram de ser retirados às pressas por conta de princípio de incêndio. Enquanto isso, a Santa Casa segue sem alvará dos bombeiros.

No fim de semana, o País acompanhou com tristeza e revolta a morte dos dez adolescentes mortos no incêndio do Centro de Treinamento do Flamengo. O caso chocou e, mais uma vez, foram apontadas diversas irregularidades que contribuíram para a proporção da tragédia, entre elas, a falta de certificado do Corpo de Bombeiros. No início desta semana, pacientes que aguardavam por atendimento no Prontomed tiveram de ser removidos às pressas por conta de um princípio de incêndio na Santa Casa. Reportagem do Correio do Estado mostrou que pessoas tiveram de ser retiradas, mesmo com soros, em macas ou cadeira de rodas. O que os dois casos têm em comum? A falta de um certificado do Corpo de Bombeiros, atestando a legalidade do plano de combate a incêndio e pânico.

Infelizmente, na ocorrência do Rio de Janeiro, essa negligência custou a vida de meninos que sonhavam em ser atletas. Não foi acidente. No caso da Santa Casa de Campo Grande, por sorte, a situação não passou de um grande susto. Porém, a pergunta que fica é: quantos princípios de incêndio serão necessários para que a direção da instituição enxergue a importância de se ter um plano de combate a incêndio de acordo com as exigências do Corpo de Bombeiros?

Na semana passada, antes desse novo princípio de incêndio registrado da noite de segunda-feira, o Correio do Estado já havia denunciado a falta de segurança a qual pacientes e profissionais da Santa Casa vinham sendo submetidos. Como portas corta-fogo, usadas para conter as chamas em caso de incêndio, quebradas, situação precária de muitas alas, entre outros problemas. Não se trata de perseguição ao hospital ou a quem nele trabalha, mas de evitar que tragédias como a que o País viu neste fim de semana se repitam. Só uma gestão míope não consegue enxergar a gravidade da situação. São seis anos de funcionamento sem o certificado do Corpo de Bombeiros, em que diversos incidentes foram controlados. A Santa Casa é o maior hospital de Mato Grosso do Sul, de centenas pacientes debilitados, com pouca ou nenhuma mobilidade, cujas chances de fugir em caso de incêndio, sem a ajuda de uma equipe de resgate, são mínimas, para não dizer nulas.

Dias depois da reportagem, a Santa Casa chegou a lançar nota alegando que o certificado estava prestes a ser emitido, faltando apenas “detalhes burocráticos”. Chama a atenção também a postura que vem sendo adotada pelo Corpo de Bombeiros. Como explicar essa discrepância no grau de exigências dos bombeiros de acordo com o porte da empresa? Dificilmente uma empresa de pequeno ou médio porte escapa das vistorias anuais e das exigências da instituição. Porém, a Santa Casa opera sem certificado há seis anos, sem que tenha tido uma ação rigorosa neste sentido. Quantos sustos serão necessários para tirar a Santa Casa e aqueles que deveriam fiscalizá-la dessa inércia?

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