sábado, 21 de julho de 2018

CORREIO DO ESTADO

Confira o editorial desta quarta-feira: "Opções de uso do dinheiro público"

11 JUL 2018Por 03h:00

Com um bom dinheiro em caixa, proveniente de compensações da Cesp, o governo do Estado poderia concluir a obra inacabada do Aquário do Pantanal.

O governo de Mato Grosso do Sul e as prefeituras dos municípios banhados pelo lago da usina hidrelétrica Engenheiro Sérgio Motta, no Rio Paraná, devem receber, em breve, uma boa quantia em dinheiro, de pouco mais de R$ 600 milhões. Algumas cidades, como Anaurilândia, de 8.354 habitantes, por exemplo – que teve boa parte de seu território inundado pela usina da Companhia Energética de São Paulo (Cesp) –, devem ficar com a maior quantia reservada para os municípios: R$ 130 milhões.

Só o governo do Estado terá disponível um valor em torno de R$ 330 milhões (leia reportagem na edição de hoje), dinheiro que entra como parte de compensação ambiental (e multa destes processos judiciais) dos danos causados na época da construção da hidrelétrica e formação do lago. Hoje, estes recursos representam um bom alívio financeiro para a administração de Reinaldo Azambuja (PSDB) no governo.
Com um bom dinheiro em caixa, o governador teria várias opções de investimento. Uma delas deve ser uma prioridade: o Aquário do Pantanal. Uma dívida que a administração estadual tem com a cidade de Campo Grande. Por mais que, na época do lançamento da obra, em 2011, alguns questionaram sua necessidade, o fato concreto é que se trata de uma obra inacabada, que precisa ser concluída. Além disso, ainda há outros destinos, como pagamento de dívidas e reposição de fundos em que o governo está inadimplente. Mas esta é uma decisão do Poder Executivo.

Também é fato que, depois de pronto, o Aquário do Pantanal vai transformar o turismo em Campo Grande. Em primeiro lugar, porque será administrado pelo Consórcio Cataratas, grupo que opera nada menos que o Parque Nacional do Iguaçu, em Foz do Iguaçu (PR), o Parque Nacional da Tijuca, onde está localizado o Cristo Redentor, no Rio de Janeiro (RJ), e o Parque Nacional Marinho, de Fernando de Noronha (PE), no Oceano Atlântico. Eles estão entre as atrações mais visitadas do Brasil, e o Aquário do Pantanal certamente terá potencial para entrar neste pacote.

O emprego e a renda que a atração turística de Campo Grande poderá gerar aos cofres públicos certamente compensa, em longo prazo, o investimento na obra, que supera os R$ 200 milhões. Agora, não existe mais desculpa. Se o problema era dinheiro para investir em infraestrutura, a partir deste momento, a gestão de Reinaldo Azambuja o terá. Vale lembrar que, por se tratar de um Centro de Pesquisa da Ictiofauna Pantaneira, o Aquário do Pantanal poderá receber recursos de compensações ambientais. André Puccinelli (MDB), que lançou o projeto e antecedeu Azambuja no governo, já havia reservado recursos de origem semelhante para a conclusão da obra.

A melhor oportunidade para concluir de vez este empreendimento, que vai transformar o turismo da Capital, é agora. A população de Campo Grande agradece.

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