Fale conosco no WhatsApp

Por sua segurança, coloque seu nome e número de celular para contatar um assessor digital por Whatsapp.

CORREIO DO ESTADO

Confira o editorial desta quarta-feira: "Mais que recurso, falta gestão"

9 JAN 19 - 03h:00

Enfermeiros anunciaram paralisação ontem, em protesto ao atraso no pagamento do 13º; o que a Santa Casa precisava para pedir mais recursos do governo.

Um dia depois da matéria publicada pelo jornal Correio do Estado sobre o plano perfeito da Santa Casa de, aproveitando a insatisfação gerada pelo atraso nos salários, pedir aumento dos repasses recebidos da União, do governo do Estado e da Prefeitura de Campo Grande, representantes dos enfermeiros anunciaram paralisação.

A manifestação seria justa se a Santa Casa não estivesse usando a categoria para forçar uma rodada de negociações. Na ata de reunião da semana passada, da qual o Correio do Estado teve acesso, essa manobra chegou a ser citada pela diretoria do hospital, que propôs a representantes de diversos sindicatos uma reunião com os gestores públicos.

A Santa Casa tenta passar aos seus funcionários e à opinião pública que faltam recursos, quando o que é escasso é a competência da presidência da instituição. O funcionário pouca ou nenhuma responsabilidade tem quanto aos repasses estarem em dia ou não. Isso é atribuição exclusiva da diretoria da unidade, que, por sinal, tem outras fontes de renda.

Logo, fica claro que o maior hospital de Mato Grosso do Sul precisa é de gestão, caso contrário, continuará sendo esse saco sem fundo de recursos públicos. Qualquer gestor, do setor público ou privado, sabe que a sobrevivência de empresa ou instituição depende de fluxo de caixa. Se é sabido que repasses do SUS acontecem em determinado dia e o salário dos funcionários precisa ser pago antes disso, é essencial que se crie uma reserva. Agora, a impressão que se tem na Santa Casa é que justamente o salário dos profissionais que atuam lá, que deveria ser prioritário – como ocorre em qualquer lugar –, está em último lugar na lista de prioridade de pagamento. Só não se sabe até que ponto esse esquecimento é proposital.

Ainda não é conhecido, por exemplo, o motivo pelo qual a Santa Casa vincula o pagamento dos servidores – essa é a desculpa dada toda vez que atrasam os salários – exclusivamente aos repasses dos governos federal, municipal e estadual, quando se é notório que não só o Sistema Único de Saúde (SUS) é atendido na  instituição. Além da rede pública de saúde, o hospital atende a particulares e planos de saúde, incluindo o dela mesma. O que é feito com o recurso gerado por esses atendimentos no setor privado? Eles também não são usados para custear, ao menos, a parte que lhe cabe?  Essas são algumas das centenas de dúvidas que giram em torno da capacidade de gestão da diretoria daquele hospital e que vão continuar até que se explique direito o que é feito do recurso do SUS, pago pelos contribuintes. O Correio do Estado não será massa de manobra e vai continuar cobrando uma explicação plausível para um deficit tão alto das contas da Santa Casa. 

Esse artigo foi útil para você?
Os comentários abaixo são opiniões de leitores e não representam a opinião deste veículo.

Leia Também

ARTIGO

Antonio Roque Dechen: "Alimentos e qualidade de vida"

Professor titular do Departamento de Ciência do Solo da Esalq/USP
OPINIÃO

Gilson Cavalcanti Ricci: "O Vaticano e a Amazônia"

Advogado
CORREIO DO ESTADO

Confira o editorial desta terça-feira: "O pragmatismo sempre vence"

ARTIGO

Flavio A. Sandi: "Os limites e a liberdade na educação"

Professor

Mais Lidas

Gostaria-mos de saber a sua opinião