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Campo Grande - MS, segunda, 12 de novembro de 2018

CORREIO DO ESTADO

Confira o editorial desta quarta-feira: "Estatísticas dramáticas"

16 AGO 2017Por 03h:00

A sociedade anseia por uma mudança mais ampla, de resistência e intolerância à cultura machista que ainda faz vítimas todos os anos...

Impossível ficar inerte e insensível às estatísticas assustadoras de violência contra as mulheres. Esses números são revelados em histórias dramáticas, em sequelas físicas e psicológicas ou, até mesmo, em desfechos ainda mais trágicos. Impossível também não refletir sobre quantas ainda sofrem ou continuarão sofrendo caladas, durante meses ou anos. A sociedade precisa se envolver, se comover e, principalmente, reagir a esses crimes injustificáveis. Esse envolvimento exige a compreensão que o problema não está restrito ao que acontece dentro do lar do vizinho, ou da amiga, e que não é possível simplesmente fechar os olhos para a cena constrangedora e abusiva da “cantada” na rua. A rejeição à igualdade e ao respeito está no âmago de grande parte dos casos de violência.

Nos últimos anos, ocorreram avanços significativos para proteger as mulheres e salvaguardar seus direitos para que a violência não volte a se repetir. Também cresceram as reações à cultura machista, com campanhas e movimentos de alerta. Ainda neste mês, essa união revelou-se em protestos contra o feminicídio, depois da morte da musicista Mayara Amaral, 27 anos, em Campo Grande. Mesmo assim, os dados continuam estarrecedores e há necessidade de ampliar as ações e as punições aos agressores. Somente de janeiro a junho deste ano, foram 3,4 mil inquéritos instaurados pela 1ª Delegacia de Atendimento à Mulher da Capital. As denúncias incluem crimes de ameaça, injúria, difamação e lesão corporal.

De acordo com a Secretaria de Políticas para as Mulheres, a Central de Atendimento à Mulher registrou, no ano passado, mais de 1,1 milhão de atendimentos no País, por meio do telefone 180. A quantidade absurda é representada no Relógio da Violência (www.relogiosdaviolencia.com.br), que, com base em pesquisa, mostra segundo a segundo a quantidade de mulheres agredidas. A Lei Maria da Penha – que levou o nome da farmacêutica Maria da Penha, a qual lutou durante 20 anos para que seu agressor pudesse ser condenado – completa 11 anos, mas ainda esbarra em dificuldades para ser aplicada com o devido rigor. Reportagem do Correio do Estado mostra que, de 363 presos no primeiro semestre deste ano, apenas 5 conti­nuam atrás das grades. Outros 77 são monitorados por tornozeleira. 

A quantidade pífia revela o tamanho do desafio: as leis precisam ser ainda mais rigorosas para acabar com a sensação de impunidade e garantir que a mulher tenha segurança dos resultados de sua denúncia. Há agilidade na intimação do agressor e medidas protetivas podem ser acionadas. Mecanismos existentes na Casa da Mulher Brasileira, inaugurada em Campo Grande no ano de 2015. Em outros municípios do interior do Estado, porém, a realidade mostra-se mais difícil e cruel. Há cidades que nem sequer contam com delegacia estruturada e toda essa rede de apoio torna-se longínqua. As políticas institucionais não têm o alcance desejado. 

A sociedade anseia por uma mudança mais ampla, de resistência e intolerância à cultura machista que ainda faz vítimas todos os anos, num total contrassenso aos avanços da lei e às conquistas sociais.
 

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