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Campo Grande - MS, sexta, 16 de novembro de 2018

CORREIO DO ESTADO

Confira o editorial desta quarta-feira: "Colapso constante"

9 AGO 2017Por 03h:00

O caos revela-se no pronto-socorro fechado, agendamento de cirurgias suspenso e paralisação de funcionários.

Aauditoria completa nas contas da Santa Casa de Campo Grande mostra-se cada vez mais necessária e urgente. Só com esse resultado baseado em cálculos, no acompanhamento de receitas e despesas será possível “estancar a sangria” dos recursos públicos que nunca parecem suficientes para acompanhar os gastos com atendimento. Ou, quem sabe, esse mesmo levantamento será capaz de comprovar que as verbas são, de fato, escassas.

Hoje, porém, as providências não podem esperar mais. A população não pode temer ser barrada ou ficar sem vaga em uma emergência. Por isso, é preciso retomar o controle da administração do hospital, que está completamente desorganizada. O caos revela-se no pronto-socorro fechado, agendamento de cirurgias suspenso e paralisação de funcionários. Está evidente que o maior hospital do Estado não está oferecendo atendimento correspondente a sua capacidade.   

Tornaram-se quase rotineiras as paralisações promovidas por enfermeiros e técnicos de enfermagem que reivindicam pagamento dos salários atrasados. Os trabalhos são parcialmente interrompidos e faixas são colocadas na entrada do hospital em ações organizadas pelo sindicato da categoria. A direção da Associação Beneficente, mantenedora do hospital, é pressionada a cumprir seu dever, mas acaba aproveitando essa situação para alegar mais e mais dificuldades financeiras, jogando a culpa e responsabilidade ao poder público que precisaria ter ampliado os repasses mensais. Tanto que há faixas cobrando o prefeito, o que demonstra o direcionamento desse movimento. Essa “briga” arrasta-se há anos e não é possível ter expectativas de quando, enfim, haverá consenso. 

O momento caótico exige esforço conjunto, o que ainda não aconteceu na prática. O governador Reinaldo Azambuja não demonstrou grande preocupação com esse problema. Em agenda pública na segunda-feira, disse apenas que “a prefeitura não tem um hospital municipal, então ela precisa demandar aos hospitais públicos, em especial ao pronto-socorro que atende a Capital, que é a Santa Casa”. Em sua fala, desprezou o fato de sua gestão ter atrasado repasse de R$ 40 milhões para a saúde de 79 municípios, sendo R$ 21 milhões apenas para Campo Grande. Delegou a resolução do impasse apenas à prefeitura e à diretoria da Santa Casa. Até mesmo a participação limitada do Hospital Regional nos atendimentos foi minimizada. 

Caso de tamanha importância para todos os sul-mato-grossenses depende, sem dúvida, de esforço conjunto. Por enquanto, houve reunião promovida pelo Ministério Público Estadual, mas sem resultados práticos. Foram feitas críticas à regulação, mas a “pressão” e até chantagem frequentemente usadas como estratégia para reivindicar mais dinheiro não foram colocadas em pauta conforme esperado. A recusa de pacientes, como ocorreu no último fim de semana quando bombeiros levaram vítima de acidente, precisa ser avaliada, mensurados os riscos das graves consequências que essa omissão pode causar.  

É preciso pensar em soluções definitivas, chegando a quantitativo real dos gastos do hospital, amparado em análises transparentes e imparciais. Sem isso, as chantagens continuarão e administração da Santa Casa permanecerá sendo norteada pelo colapso constante, com graves riscos aos pacientes. 
 

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