Sábado, 26 de Maio de 2018

CORREIO DO ESTADO

Confira o editorial desta quarta-feira: "Agronegócio dribla a crise"

14 FEV 2018Por 03h:00

Enquanto outros setores tiveram retração, a agropecuária segurou as pontas, com destaque para a previsão de novo recorde na safra de soja.

O agronegócio sul-mato-grossense conseguiu driblar uma das piores recessões econômicas do País e seguir seu próprio caminho que, senão de crescimento, ao menos de estabilidade, levando nas costas a economia de todo o Estado. Os últimos anos não foram fáceis e, é claro, que atingiu Mato Grosso do Sul. Porém, o agronegócio amorteceu o baque, manteve a economia respirando, enquanto outros estados literalmente ruíram. Essa capacidade de sustentação não é para menos. 

De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no ano passado, o setor agropecuário movimentou R$ 28,751 bilhões no Estado. O índice aponta crescimento mesmo diante da crise, uma vez que, em 2016, o Valor Bruto da Produção (VBP) havia fechado em R$ 27,720 bilhões. Para se ter noção da importância dessas cifras, o resultado do ano passado corresponde  a praticamente o dobro do orçamento previsto pelo governo do Estado para este ano, R$ 14,497 bilhões, de acordo com a Lei de Orçamento Anual (LOA) - 4,3% a mais em comparação com o  ano passado.

E esses números podem crescer ainda mais. Boa parte desse resultado se deve ao crescimento da agricultura, principalmente a cultura da soja no Estado. Somente no ano passado, as lavouras da oleaginosa movimentaram no Estado R$ 8,996 bilhões, melhor resultado da série histórica do IBGE.

Com nova previsão de safra recorde, a produção do grão pode chegar a 8,719 milhões de toneladas, alta de 1,7% em comparação ao ano de 2017, quando o Estado já havia registrado uma supersafra.  Com isso, a tendência é que a receita da soja atinja a casa dos R$ 9 bilhões neste ano. A Confederação da Agricultura e Pecuária (CNA), por exemplo, estima crescimento de 5,4% na produção nacional, principalmente em decorrência do mercado da cana e da soja. 

No caso específico de Mato Grosso do Sul, além das lavouras, há expectativa de que a pecuária também volte a crescer neste ano. Depois de um período conturbado e cercado de incertezas, em decorrência da queda dos irmãos Batista, donos da JBS, o mercado da carne teve que se reinventar. Em 2017, o segmento teve queda e movimentou R$ 7,446 bilhões no Estado. Mas pequenos viram na perda de mercado da JBS a oportunidade de crescer, e investiram na ampliação da capacidade ou reativação de plantas. Os resultados dessa readequação de mercado são esperados para chegar neste ano. 

 E esse dinheiro não fica restrito ao campo ou porteira adentro. O agronegócio em crescimento movimenta toda a economia. Com um bom desempenho, o setor precisa de mais funcionários, novos maquinários e meios de escoamento dessa produção. Indústrias são atraídas, o comércio especializado – ou não – vende mais e o dinheiro gira.Prova disso foi a alta na venda de veículos pesados neste ano. Depois de três anos de quedas consecutivas, a venda de caminhões teve alta de 71,43% no mês de janeiro em comparação a igual período do ano anterior. Se o agronegócio fez com que a crise perdesse força ao atingir Mato Grosso do Sul também será graças a ele que a retomada do crescimento chegará mais rápido por aqui. 

 

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