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CORREIO DO ESTADO

Confira o editorial desta quarta-feira: "A retomada da esperança"

13 NOV 19 - 03h:00

Programas que incentivam a geração de empregos para jovens, como o lançado nesta semana, são importantes para trazer o otimismo de volta a uma geração.

Qualquer adulto brasileiro, sobretudo aqueles que eram crianças na década de 1970, cresceu com um mantra que alegava que os jovens eram o futuro do Brasil. O futuro anunciado há pouco mais de 40 anos já chegou. Bem, para uns e não muito para outros, em meio aos percalços da vida cotidiana. 

O que não pode ser negado é que a geração hoje adulta teve acesso a muitos avanços em saúde, nutrição, educação e comunicação que certamente seus pais e avós não tiveram. É a geração dos adultos de hoje em dia que conseguiu, em maior escala, feitos que outras gerações não conseguiram: aumento da expectativa de vida, elevação do contingente populacional, primeira graduação, acesso a itens alimentares e tratamentos que, em outros tempos, eram algo quase impossível.

Algumas das posturas que levaram a geração dos adultos de hoje aos bons resultados dos tempos atuais – que, em muitos casos, superam os das anteriores – certamente foram a esperança e o otimismo por dias e condições melhores de vida. Sem que muitos que foram jovens ou crianças de outras décadas soubessem, a atmosfera otimista do fim do século passado foi um grande combustível para que pudéssemos experimentar muitos dos avanços atuais. Nos anos 1980 e 1990, foram muitos os filmes de ficção científica que mostravam um futuro utópico, com pessoas vivendo mais felizes e em harmonia. Já no fim da segunda década do século 21, essa realidade se inverteu: o pessimismo sobre as relações entre as pessoas no futuro recai sobre a nova geração. Basta notar as perspectivas da produção cultural e científica, que apontam para realidades distópicas.

Esta mudança de curso sobre a perspectiva do futuro da juventude é o lado oposto da esperança que movia, no passado, os adultos de agora. A causa para esse aparente pessimismo é o desalento: o desânimo com a situação atual. Esse desalento, depois de uma crise que se arrasta há quatro anos, é bem maior na juventude. As pessoas com idade entre 18 e 29 anos são as que mais encontram dificuldades para trabalhar. Muitas delas já trabalharam muito na vida, mas nunca formalmente.

Daí a importância de um programa como o Verde Amarelo, lançado nesta semana, criado para atender esta camada da população. Em Mato Grosso do Sul, são mais de 20 mil pessoas que poderão ser beneficiadas com esta oportunidade de se formalizar no mercado. Para uma geração que estava crescendo no desalento, esperamos que ações como essas tragam de volta a esperança de um futuro melhor para todos.
 

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