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CORREIO DO ESTADO

Confira o editorial desta quarta-feira: "A nova Previdência"

23 OUT 19 - 03h:00

Esperamos que a economia melhore e que a renda média da população aumente. Este foi o argumento do governo para convencer a população da necessidade da reforma.

Os brasileiros que ainda não ingressaram no mercado de trabalho, ou mesmo aqueles que entraram no mercado recentemente, terão de planejar a vida de uma forma diferente da que seus pais, avós e outros antepassados planejaram. O conceito de aposentadoria foi transformado com a aprovação da reforma da Previdência, concluída na noite de ontem no Senado. Para aqueles que não começaram a trabalhar, ou mesmo para os que já contribuem há alguns anos, o tempo de contribuição para poder receber aposentadoria e ter do poder público a retribuição por ter trabalhado durante toda uma vida mudou. 

Se em mudanças bem menos impactantes é natural que haja resistência, a alteração na Constituição para aumentar a idade mínima para se aposentar e também o tempo de contribuição teve – e ainda enfrenta – uma forte desconfiança e, em alguns casos, desalento, referente ao impacto das mudanças no regime previdenciário brasileiro. Um contribuinte que tenha trabalhado por pelo menos 35 anos poderia em muitos casos se aposentar antes dos 60 anos. Agora, a idade para começar a receber a aposentadoria será de 65 anos para homens e 62 para mulheres. 

Ao comentar a reforma da Previdência, é importante destacar os fatores que abriram caminho para sua aprovação. As injustiças do sistema previdenciário. O trabalhador que recebe valores inferiores ao teto do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) não foi menos importante ao longo de sua história produtiva que um servidor público, que consegue deixar o mercado de trabalho com o mesmo salário que recebe quando em atividade. Muitos desses ganhos ultrapassam os R$ 30 mil. 

De fato, existe um rombo no sistema previdenciário que prejudica a economia, não no sentido de entrar no mérito sobre quem tem razão, mas no sentido de criar meios para o Brasil superar a crise. Ao mesmo tempo que o INSS tem um passivo bilionário (que certamente nunca receberá e que só aumenta) suficiente para cobrir o rombo da Previdência, o pagamento das contribuições previdênciárias, como PIS, Cofins e CSLL, certamente oneram a folha de pagamento do setor produtivo. 

Estas contribuições continuarão existindo e o que se espera é que o governo federal comece a fazer justiça a todas as partes envolvidas nas mudanças na Previdência. A reforma foi apoiada por muitos trabalhadores que acabaram de ingressar no mercado. Muitos deles estão preocupados com o trabalho do dia, e não com a aposentadoria. Foi esta dificuldade que fomentou o apoio. Esperamos que a economia melhore e que a renda média da população aumente. Este foi o argumento do governo para convencer a população da necessidade da reforma. Os brasileiros vão cobrar os resultados no futuro.

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