Campo Grande - MS, domingo, 19 de agosto de 2018

CORREIO DO ESTADO

Confira o editorial desta quarta-feira:
"A multiplicação dos 'gatos'"

13 JUN 2018Por 03h:00

Na ânsia de ganhar cada vez mais, a Energisa tem distribuído notificações de supostas irregularidades, mais conhecidas como “gatos”, por todos os lados.

A falta de critérios dos técnicos da concessionária Energisa, responsável pelo abastecimento de energia elétrica de Campo Grande, parece ir além da questão das podas de árvores. Enquanto reduz a poucas galhadas as copas de árvores, a empresa também tem distribuído “gatos” pela cidade. Tem sido grande o número de reclamação de consumidores por cobranças abusivas por parte da empresa, como mostra reportagem da edição desta quarta-feira do Correio do Estado. Com mais de 1,4 mil queixas registradas, a Energisa aparece entre as mais reclamadas da Superintendência para Orientação e Defesa do Consumidor (Procon-MS). Os dados também apontam crescimento no número de reclamações em comparação ao do ano passado. 

O motivo de tantas queixas varia, mas a cobrança indevida é recorrente. Os casos são muitos: troca dos equipamentos de leitura de energia e problemas técnicos, mas que resultam em cobranças de cifras extraordinárias. Além disso, dependendo da ocorrência, ainda coloca a idoneidade do consumidor em xeque, ao dizer, em palavras bonitas e técnicas, que este está praticando um “gato” (furto de energia). Esses casos são recorrentes e não se restringem a uma única classe social. Na ânsia de ganhar mais, a concessionária de energia tem distribuído “gatos” de todos os tamanhos, por toda Campo Grande, o que está impactando diretamente o atendimento da Defensoria Pública e também a ação da Justiça, uma vez que é só lá que consumidores conseguem provar a irregularidade e se livrar do pagamento.

Esses casos de cobrança indevida só mostram as deficiências existentes no serviço de fornecimento de energia elétrica de Campo Grande, mais um deles. Se já não bastassem os “pseudogatos” que fazem aumentar em algumas casas decimais a conta de luz, o consumidor campo-grandense – e a situação não deve ser muito diferente no restante do Estado – ainda precisa lidar com constantes quedas de energia, que resultam até mesmo em prejuízo com equipamentos eletroeletrônicos queimados, demora na prestação de serviços, etc. Também não era para menos. No começo desta semana, o sindicato da categoria apontou que a Energisa demitiu cerca de 600 funcionários nos últimos dias. A concessionária, é claro, nega e diz que, na verdade, ampliou seu quadro de funcionários em 33% e investiu R$ 1 bilhão, desde 2014, no Estado. 

Em 2016, como mostrou relatório da companhia divulgado pelo Correio do Estado, a Energisa fechou o ano com lucro no País. Mesmo assim, a conta de luz ficou mais cara para o consumidor. O reajuste nas cobranças de energia, direito da companhia previsto na concessão, ocorre anualmente, com o objetivo de corrigir os valores e evitar perdas. O último ocorreu em abril deste ano: 10,65% para imóveis residenciais.

 

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