Campo Grande - MS, domingo, 19 de agosto de 2018

CORREIO DO ESTADO

Confira o edital desta sexta-feira: "Segurança em deficit"

25 AGO 2017Por 03h:00

Embora segurança seja tema de todos os candidatos em período eleitoral, nem sempre as promessas de campanha são cumpridas.

A segurança pública vive período de completo contrassenso. Mato Grosso do Sul pode fechar o ano com 600 policiais a menos nas ruas. Disparate num período em que as facções criminosas têm ampliado a guerra na fronteira com Paraguai e Bolívia na disputa para dominar a entrada de drogas e armas, que resultam no aumento da violência em vários estados brasileiros. Essa selvageria amplia-se para outros municípios. Nos últimos meses, execuções ocorreram em Campo Grande. No caso mais recente, este mês, um jovem de 22 anos foi morto e esquartejado. Antes, os algozes exigiram que a vítima pedisse desculpas ao Primeiro Comando da Capital (PCC), grupo rival ao dele, o Comando Vermelho (CV). Em julho, dois foram executados no Jardim Carioca e o motorista que os conduzia, que não tinha qualquer relação com atos criminosos, foi ferido.

A baixa sem precedentes decorre da reforma previdenciária e o temor dos servidores em perder benefícios com as mudanças em pauta. A frustração com a fase final da carreira é estopim de série de entraves na questão trabalhista da categoria, delicada por envolver risco elevado à própria segurança e precariedade no desenvolvimento da função. A atividade-fim é o policiamento ostensivo, em caráter preventivo, tentando coibir ação de infratores. É descrição abrangente, que transparece amplitude de serviços prestados à população. Trabalham em regime de escala, sendo suscetíveis à extensão do horário por conta da ocorrência em andamento ou outras imposições legais, previstas no Estatuto dos Servidores Militares.

Além do preparo físico e psicológico necessários para a profissão, há elemento indispensável: armamentos e treinamento que possam ser compatíveis com a guerra travada com as facções criminosas. Porém, é notório que esta não é a realidade das corporações brasileiras. As apreensões de armas de uso restrito de forças militares é exemplo do poder bélico dos criminosos, às vezes, muito mais avançado que o aparato disponível aos policiais. Licenças médicas, por problemas psicológicos não são incomuns.

Dificilmente o cenário será alterado sem investimento maciço em segurança, medida cada vez mais distante por conta da recessão econômica que teve como efeito o contingenciamento de recursos. Em Mato Grosso do Sul, um dos projetos afetados é o Sistema Integrado de Monitoramento das Fronteiras (Sisfron), a esperada reação do poder público à criminalidade, que não veio. As ações efetivas de fiscalização na faixa de fronteira tiveram cronograma adiado, sem data definida para execução.

Embora segurança seja tema de todos os candidatos em período eleitoral, nem sempre as promessas de campanha são cumpridas. O esperado concurso para Polícia Militar no Estado, por exemplo, ainda está sendo discutido, embora seja premente o reforço de pessoal. No caso da Polícia Civil, o concurso realizado na última semana servirá para suprir lacuna, sem resolver o deficit de delegados. O combate ao crime organizado é ponto nevrálgico e de urgente implementação.

 

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