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ARTIGO

Carlos Rodolfo Schneider: "Preparados para a nova economia?"

Empresário

3 OUT 19 - 02h:00

Em agosto, ocorreu em São Francisco, Califórnia, o último Global Summit da Singularity University, que, como o próprio nome diz, é uma escola com proposta singular, diferente, voltada ao futuro. Os participantes de diversos países, entre eles um bom número de brasileiros, foram bombardeados por novidades tecnológicas, ideias disruptivas e projeções sobre as revoluções que já estão acontecendo e as que estão por vir. Isso nas mais diversas áreas: da medicina ao transporte, do consumo à fabricação, de formas de pagamento à exploração espacial. O princípio norteador é apresentar soluções realmente novas, se possível esquecendo as que existem hoje. O que mais se ouviu no evento foi a necessidade de mudar o “mindset”, o jeito de pensar. Um concurso, divulgado durante o evento, cuja 25ª edição acontecerá de 4 a 6 de outubro, nos estúdios da Paramount Pictures, em Hollywood, propõe-se a coletar ideias para resolver os problemas mais complexos e desafiadores da humanidade, dentro de um conceito de abundância 360°. Parte do pressuposto que todos os problemas conhecidos são solucionáveis num futuro próximo, da pobreza às questões ambientais e à colonização do espaço. Um dos palestrantes anunciou ter obtido autorização para levar passageiros à Lua em 2021.

Para os empresários, uma mensagem desafiadora: no futuro, que para muitos setores já está batendo à porta, todas as ofertas de valor serão mais seguras, mais eficientes e mais baratas. Quem não conseguir acompanhar ficará pelo caminho, em nome de sua majestade, o consumidor. É inexorável.

Um mundo que apresentará desafios, e também oportunidades, em velocidade crescente, a ser explorado por uma combinação inteligente: entre jovens digitalizados e profissionais experientes, receita de sucesso dos principais unicórnios apresentados aos participantes. É essa agenda que ditará a competitividade e o avanço das nações, e vem ganhando importância não só nas economias ricas, mas também naquelas que não perderam o senso de urgência, com destaque para a China.

No Brasil, por outro lado, continuamos gastando a nossa energia com a agenda do passado, andando em círculo em questões como ajuste fiscal, baixa produtividade, falta de competitividade, principalmente pelo peso da ineficiência do Estado, serviços públicos de baixa qualidade, falta de infraestrutura. Ainda não conseguimos avançar para o grupo dos países desenvolvidos – presos na armadilha da renda média –, sob o critério de geração de riqueza econômica na velha economia. A grande maioria das empresas brasileiras continua focada em competir e sobreviver em um ambiente que o velho e conhecido Custo Brasil torna altamente desafiador. E quem não sente o chão firme olha para baixo, e não para frente.

Se continuarmos resistindo às mudanças necessárias, ou desidratando projetos de reformas imprescindíveis, corremos grande risco de já estarmos comprando o nosso bilhete para a segunda classe na nova economia, da escalabilidade, da inteligência artificial, da computação quântica, da internet das coisas, da indústria 4.0, da digitalização, do compartilhamento, da substituição da propriedade pelo uso, dos projetos interplanetários. Temos de levantar a régua do que temos convencionado chamar de “politicamente possível” em direção ao que é realmente necessário, para conseguirmos encaminhar com a devida urgência a agenda do passado e despertarmos para o novo mundo que, literalmente, está entrando sem pedir licença, com uma velocidade que vai surpreender.

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