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terça, 19 de fevereiro de 2019 - 05h46min

ARTIGO

Carlos Lopes dos Santos: "Quem somos nós? Bois de piranha"

Advogado

12 FEV 19 - 02h:00

Impossível permanecer inerte, sem falar, sem escrever, sem gritar, após essa terrível tragédia de Brumadinho, Minas Gerais. Depois de vislumbrar dezenas de vezes os vídeos de salvamento, à proporção que o desastre ofereceu, me aparece o vídeo do momento crucial do início do terror. Aí, a dor, a tristeza, a angústia dilaceram o coração de qualquer um. O mar de lama e rejeitos e a sua intensidade e poderio de destruição não deixam dúvidas de que qualquer vida que se sobrepor à sua frente será extinta. Ninguém pode sobreviver ao inferno de barro. Isso mesmo, o inferno se fez presente na pacata Brumadinho, no dia 25 de fevereiro de 2019.

Por que acontecem coisas desse tipo em pleno século 21? Como entender essa tragédia e tantas outras que ocorrem quando estamos no auge do desenvolvimento de inovações tecnologias, quase que na capacidade máxima da evolução do conhecimento humano? Por que colocamos ainda o lucro, a ganância, o “progresso” e a irresponsabilidade acima da vida humana?

Evidentemente, a resposta para o primeiro e segundo questionamento acima está no terceiro questionamento. Aquela máxima de que “a vida humana não tem preço” não significa nada para os que defendem que a humanidade, para sobreviver, precisa expandir... expandir, sem restrições, a ciência, as descobertas, e explorar sem limites todo seu potencial, os recursos que a natureza dispõe. Aliás, esses mesmos, em suas justificativas para avançar sem escrúpulos em tudo que existe no planeta Terra, pregam que tudo será feito em nome da preservação da raça humana. Parece aquela história do boi de piranha. Um boi para as piranhas, para atravessar o rio infestado dos carnívoros. Enquanto elas comem o coitado do boi escolhido, sangrando, os outros se salvam e vão para a outra margem do rio. Só que no caso de Brumadinho, de Mariana e de tantos outros desastres acontecidos pelo mundo, os bois de piranhas são muitos e não dá para ignorar seus sofrimentos. O preço é alto.

Desde os primórdios dos tempos, na busca pelo conhecimento, o homem se entreverou ora na lógica, ora na fé e vem vindo assim pelos séculos e milênios. Nunca contentou-se em ser o que era e avançou no pensamento reflexivo, e isso não foi ruim. Como é possível negar que, entre tudo que somos e tudo que fomos, estamos bem melhor, sem sombras de dúvidas. Bilhões de anos passaram-se desde o início, contudo, somente há 200.000 anos é que realmente começamos a despertar para o pensar, raciocinar e desenvolver habilidades. Daí para frente, como uma avalanche, a vida foi mudando e aprendemos muito, quase tudo. Disso tudo, foi inevitável não conhecer a cobiça, o poder sobre os mais fracos, a ganância, a vontade pela conquista e o desprezo pela aparente raça mais fraca. Tudo era permitido em nome da evolução, da garantia da permanência dos mais fortes, para a sobrevivência dos que se julgavam superiores.

Enfim, nesses tempos atuais, o que pode explicar tantas atividades de exploração em tantos ramos, que possam colocar em risco a vida das pessoas e ao mesmo tempo, podem ser úteis a tantos outros humanos? Quem somos nós?

A única explicação que entendo ser plausível é a de que somos verdadeiros animais humanos, igualmente a todos os outros animais, só que dotados de tanta ignorância em nossas veias, que o conhecimento que temos nos transforma em imbecis racionais, que alegam que a vida humana não tem preço, mas a trocamos por minérios e outras coisas, extraídos às custas das vidas de nós mesmos.

Somos imbecis. Sem sombras de dúvidas!

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