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Campo Grande - MS, sexta, 14 de dezembro de 2018

ARTIGO

Carlos Lopes Dos Santos: "Apologia do bibliófilo amador ao livro"

Advogado

8 DEZ 2018Por 02h:00

Como escrever e o que escrever sobre o livro? Não quero escrever um livro agora. Nem contar a história do livro, pois não estou à altura de tamanha envergadura. Desejo descrever um milímetro sobre o que é uma das minhas grandes paixões, a leitura de um bom livro. Um bem dos mais importantes na história da humanidade, que é quase impossível relatar toda sua grandeza e colaboração no desenvolvimento e aperfeiçoamento da engrenagem do conhecimento científico, intelectual, cultural etc. O livro, entretanto, não vive, nesses tempos atuais, toda glória que merece e que deveria sempre desfrutar. Não me refiro, simplesmente, ao emaranhado de páginas compiladas numa singela encadernação. Não quero tratar apenas das banais compilações do códex. Vislumbro o que considero o refratário do saber, a destilação da inspiração, o conteúdo do livro e a sua forma, a sua materialização. Tenho demasiado apreço ao livro, que até a menor das ideias equivocadas que expõe, eu respeito, desde que se configure nele a honra ao vernáculo e a decência da virtude honestidade. Enfim, para mim, não existem livros maus. Existem, sim, os bons, os ótimos, os imprescindíveis, os essenciais e outros.

De bom alvitre, ressaltar que não menciono a desglorificação do livro levando em consideração somente o seu aspecto econômico. Não se trata disso, inobstante, os dados divulgados pela Câmara Brasileira de Livros relativos ao ano base de 2017, apresentem uma relativa queda na produção e vendas do setor editorial. Em 2017, foram comercializados 354 mil exemplares, contudo, num total menor do que em 2016 (dados da CBL). Penso que não se pode medir o valor de um livro pelo preço nem pela sua quantidade vendida, todavia num País tão gigantesco, com mais de 200 milhões de habitantes, é lamentável constatar que os brasileiros não são apreciadores, em sua maioria, da leitura, quanto mais da aquisição de um livro. Ainda bem que, em muitos milhões, existem algumas centenas de milhares ou poucos milhões que se destoam dessa estatística triste.

Quem sabe, toda essa admiração desmedida pelo livro me leve a cometer uma ambiguidade. Entretanto, quase me soa incompreensível, a troca do antigo prazer de se adentrar a uma livraria, apreciar as obras visíveis, escolher o preferido e sorver fisicamente a boa e velha leitura, de preferência sob um velho alpendre estendido num belo jardim e, se possível, acolhendo todo o calor da Toscana, saboreando uma dolce taça de vinho rosso, na Itália, evidentemente, pela leitura do mesmo livro num computador, celular etc. Quer dizer, ler o e-book. Assim agora querem chamar o livro: e-book. Quem gosta de verdade do livro, o tradicional, aprecia sua configuração física, sua arte estampada na capa, contracapa e toda sua formatação. Alguns, e nem estou afirmando que isso seja correto, compram livros, às vezes, só pela beleza da capa. Para estes, um computador não é um livro. O e-book também não, em que pese toda comodidade que ele ofereça na leitura. Mas ler um bom livro é ótimo em qualquer lugar, não só na Itália, óbvio. Seja manuseando o volume ou digitando as teclas. Que fique consignado que este missivista nutre todo o respeito do mundo pelo leitor que aderiu ao e-book e o prefere, ao velho livro de papel. Aliás, oxalá esse novo (nem tanto) nome do livro, com sua denominação gringa, “e-book”, possa despertar em nossa gente o amor definitivo pela leitura, para o bem de todos e do País, e que os livros recebam, enfim, toda glória que fazem jus.

Quem conhece a história do livro certamente tem ciência de todo o perrengue que ele passou na sua trajetória, desde as dificuldades iniciais para sua produção em diversos tipos de materiais, a proibição e regulação para o público na idade média, ser queimado em épocas de guerras, até a sua consagração conclusiva como um grande bem da humanidade e agora o e-book. A leitura é tão edificante e a gente deve tanto ao livro por isso, que é impossível em poucas linhas descrever o seu valor. Nada disso seria possível sem os escritores, de quem falaremos em outra hora. Por hoje, basta encerrar, recordando-me dos meus antigos livros “Programa de Admissão” (Domingos P. Cegalla e Outros) e do “Malba Tahan” (Júlio C. de M Souza), onde tudo começou nos anos 60.

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