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OPINIÃO

Benedito Rodrigues da Costa: "A comoção merece atenção e equilíbrio"

Economista
13/02/2019 01:00 -


A velocidade com que as notícias são veiculadas pode produzir diversos tipos de reações, pois depende do tipo da informação, do envolvimento dos atores participantes no evento e quais as causas que contribuíram para o acontecimento, quais as reações possíveis que poderão advir em função dos danos causados, mas, acima de tudo, qual ou quais os causadores responsáveis.

A consternação tomou conta do País no mês de janeiro, com o rompimento da barragem em Brumadinho, ceifando centenas de vidas, um temporal no Rio de Janeiro, em São Paulo, incêndio no Centro de Treinamento do Flamengo que vitimou dez jovens atletas, a queda do helicóptero que tirou a vida do jornalista Ricardo Boechat. São acontecimentos que interromperam sonhos e esperanças; tudo isto, fora do controle dos seres humanos. Tudo por conta da fatalidade.

A comoção é um sentimento que não se pode controlar, pois está situada em nosso sistema nervoso. Trata-se de uma ação imediata e irracional e, por isso mesmo, perigosa. Convém notar que até mesmo as fake news podem causar danos irreparáveis a uma pessoa ou a um grupo delas, bastando, para  isso,  a acusação caluniosa contra alguém que se queira prejudicar  por algum motivo pessoal ou até mesmo por vingança.

Há cerca de uma década, uma acusação a um proprietário de uma escola infantil destruiu a sua vida e de sua família, que administravam o estabelecimento de ensino com dedicação e competência e que, de um dia para outro, tiveram suas vidas viradas de cabeça para baixo. Eis que ele fora acusado de abusar de um garotinho, aluno de sua escola. Foi preso, processado, tendo seu estabelecimento depredado, pichado e fechado. Uma tragédia sem precedente que afetou terrivelmente a sua saúde.

Esse cidadão sofreu um verdadeiro linchamento moral, pois, de um homem trabalhador e cônscio de suas responsabilidades, viu-se, de uma hora para outra, transformado em persona não grata e um criminoso. Porém, havia pessoas que viam nele um inocente alvo de uma armação, que muito tempo depois, fora desvendada. Contudo, sua saúde já estava debilitada e ele veio a falecer.

Seus advogados, de tanto insistirem, levaram em frente o processo, em que o crime foi desvendado: o motorista da Kombi escolar, descontente com o patrão, ardilosamente convenceu a criança a contar aos pais que o professor o havia violentado. A inocência foi reconhecida tardiamente, pois o senhor havia falecido. Nos dias atuais, o que mais ouvimos nos telejornais é a caça às bruxas, em que pessoas são literalmente apontadas como responsáveis por esta ou outra tragédia, sem culpa formalizada. Trata-se de uma atitude perigosa que pode transtornar a vida de uma pessoa inocente. O momento requer prudência e equilíbrio.

Felpuda


Político experiente tem repetido que não é o momento de falar em eleições. O momento é de tensão, de incertezas políticas e econômicas – como se o País fosse uma ilha de preocupações cercada pelo coronavírus por todos os lados. Em Mato Grosso do Sul, onde já se registrou morte pela doença e o número de casos só tende a subir, não poderia ser diferente. “É suicídio político para quem ousar falar em eleição neste momento”, conclui. Só!