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Campo Grande - MS, quinta, 15 de novembro de 2018

ARTIGO

Antonio Carlos Siufi Hinho: "Nem céu, nem inferno: Purgatório!"

Promotor de Justiça aposentado

28 JUN 2017Por 02h:00

No ano que vem, o povo brasileiro será obrigado a comparecer às urnas para escolher o próximo presidente da República, governadores dos estados federados, dois senadores, deputados federais e estaduais. O cumprimento do calendário eleitoral tinha de ser um motivo de alegria para o conjunto dos eleitores em todo o território nacional. É assim que a verdadeira democracia esboça o seu sorriso largo para convidá-lo ao grande encontro com as urnas. 

 O eleitor, encharcado dessas virtudes que o enobrece, comparece à sua seção eleitoral e sela com o seu voto os destinos do seu País e do seu estado pelos próximos quatro anos. Esse período tem seu início com as convenções partidárias. Da sua ampla discussão, surgem as candidaturas. Com elas, o plano de governo e de trabalho, que os aspirantes aos cargos eletivos em disputa oferecem ao seu eleitor para uma ampla reflexão. Essa fotografia bonita da democracia, não a temos. 

Últimas pesquisas divulgadas pela grande imprensa nacional apontam que o povo brasileiro está envergonhado dos seus representantes políticos. O índice é assustador. Mas não é só isso o seu tormento. O nosso carrancudo horizonte político não mostra nenhum sinal de mudança, até as eleições gerais de 2018.  

O presidente da República já deu a senha macabra do calvário que teremos de cumprir. Disse enfaticamente que não renunciará o seu mandato. Mas não é só isso que nos remete a essa certeza de grandeza planetária. O nosso Congresso Nacional luta com todas as suas forças políticas para destruir a Operação Lava Jato. Projetos existem nesse sentido. Um deles é bastante explícito: estabelece que políticos condenados em segunda instância da Justiça poderão formalizar suas candidaturas para o próximo pleito eleitoral. Um quadro muito triste para o nosso País.

As safadezas de Brasília respingaram em nosso Estado e atingiram as nossas principais lideranças políticas com amplas chances de conquistar o poder estadual nas eleições gerais do ano que vem. O pecado que cada um deles supostamente cometeu está no tamanho exato da mordida dada no fruto proibido. O grau de culpa depende da consciência de cada um. Foi esta a denúncia dos seus delatores à Justiça. É verdade que isso tudo são indícios. Não existem ainda culpados. Mas é certo que nenhum deles é santo ou satanás. Estão todos no purgatório. 

O tamanho do pecado supostamente cometido não tem nenhuma importância. Pecado é pecado, e ponto final. É nesse contexto político que precisamos fixar nossa atenção. Certamente, o brilho das próximas eleições será ofuscado. Não temos como fugir dessa realidade constrangedora. Se não existir nenhuma candidatura que gere crédito e desperte confiança no eleitorado, teremos de escolher entre os postulantes o menos pior. Algo difícil de compreender.

É nesse ambiente de descrença na classe política, de desrespeito à lei, de ofensa à coisa pública, de afronta aos nossos costumes e de ultraje aos nossos princípios morais e éticos que vamos ser obrigados a escolher os nossos futuros representantes. O nosso País não experimentou ainda os horrores de uma guerra e o que a insensatez humana é capaz de produzir. Isso é uma dádiva que não pode ser desprezada. 

Tínhamos, por obrigação e dever cívico, de apreender a importância da paz e da tranquilidade de espírito que a democracia pode nos brindar. O bem enorme que pode produzir no seio da nossa sociedade. Mas não é o que está ocorrendo. Estamos transitando infelizmente na sua contramão da direção. 

O voto é preciosíssimo. O mandato precisa ser cumprido com dignidade e respeito para com o eleitor. Não pode ser jogado na lama. De toda essa sujeira que deixa exposta as nossas entranhas, podemos afiançar que não aprendemos nada com a redemocratização do nosso País, após 21 anos de regime militar. O povo brasileiro não merecia esse legado. Somos um povo ordeiro e amante da paz e da concórdia. Não é preciso dizer mais nada.

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