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Campo Grande - MS, domingo, 18 de novembro de 2018

OPINIÃO

Antonio Carlos Siufi Hindo: "Terá sempre razão o grande Rui Barbosa!"

Promotor de Justiça aposentado

3 AGO 2017Por 01h:00

 “De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chegara a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto” Rui Barbosa.

 A frase histórica do nosso grande Rui Barbosa, que alcançou o mundo inteiro pela grandeza da sua inteligência, pelo seu raro discernimento de diferenciar o bom, o justo e o correto, será sempre atualíssima e merecerá de todos nós uma reflexão perene sobre o alcance do seu propósito. Proferir tão importante frase e legar para os seus vindouros o vigor desse importante princípio de sabedoria indica que as coisas naquela época já não eram boas. 

Rui viu de tudo durante a sua vida, que resultou completa, pronta e acabada em todas as áreas da atividade profissional, especialmente aquela relacionada ao campo político. Foi conselheiro do nosso Imperador e também o seu algoz. Ao lado de Benjamin Constant, Deodoro da Fonseca, Campos Sales e Rodrigues Alves, foi um dos idealizadores da República como a forma de governo, que passou a viger em todo o território nacional a partir de 15 de novembro de 1889.

Aspirante por duas vezes ao então Palácio do Catete, antiga sede do governo federal na cidade do Rio de Janeiro, foi derrotado pela roubalheira, pela força do poderio econômico dos seus adversários, mas principalmente pela ameaça de colocar em prática uma política limpa, séria, objetiva e bastante propositada que pudesse mudar a fotografia do estado brasileiro junto ao concerto das nações.

O nosso País perdeu por duas vezes a grande e preciosa chance de respaldar uma candidatura digna e respeitada pelo mundo inteiro, para ditar as regras da política econômica e social que refletissem verdadeiramente a grandeza da nossa nação. E continua perdendo essa preciosa chance. É por essas razões e outras tantas que surgiram na vida desse grande brasileiro que, em um verdadeiro desabafo, lançou o seu grito de revolta, de dor, de angústia, de incompreensão, de irresignação, de discórdia diante de tudo que conspirava em desfavor da pátria e do povo brasileiro. 

Hoje, a realidade da vida brasileira não é diferente daquela vivenciada por Rui. Ela até pode ser considerada pior, muito pior do que aquela registrada em sua época, porque a ganância de uns poucos, em evidente prejuízo da esmagadora maioria do povo brasileiro, é que dita as normas da safadeza, da esperteza, das conspirações, das acusações e dos estelionatos em todas as suas formas que denigrem a imagem do ser humano e o remete a ser a fotografia do próprio satanás. Não temos nenhuma autoridade na área da sociologia, da filosofia ou mesmo de outros setores importantes do conhecimento humano para compreendermos melhor a brutalidade a que assistimos todos os dias entre os seres humanos.

 O álcool, as drogas ilícitas, os jogos de azar constituem, com absoluta certeza, verdadeiros flagelos sociais e motivam, de outro vértice, na degradação que essa relação pode evoluir alcançando os membros da família e todos os que os circundam. Eles levam o maior sentimento de revolta que um ser humano de inteligência mediana pode protagonizar. E o seu embrião, desgraçadamente vamos encontrar no seio da família e nas relações sociais que o homem vivencia diuturnamente. A religião, a moral, os bons costumes, os princípios cristãos garantidores de uma convivência pacífica entre os seres humanos são valores que resultaram destruídos pelo estado de morbidade em que se encontram os governos e os seus governantes.

Da chefia do nosso governo central que poderíamos esperar as maiores virtudes cívicas e patrióticas, a própria salvaguarda da honra nacional, os princípios sacrossantos da Justiça, não saem nada de alvissareiro. Dali saem em abundância os exemplos de egoísmo, de disputas de interesses sórdidos, da ambição, da ingratidão e do desleixo, que remetem os governados a desanimar da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto como sabiamente sentenciou o nosso Rui Barbosa.

Nas ruas das nossas metrópoles e naquelas localizadas em todos os quadrantes do território nacional o pânico, o horror da morte, do assalto à mão armada e de tantas outras formas de violência que abundam na sociedade e que não temos uma resposta pronta e eficaz do Estado para conter essa situação de desprazer e de mal estar que somos obrigados a protagonizar, leva o ser humano, realmente, ao desanimo quanto a tudo de bom e honesto que pode existir em nossa caminhada terrena.

O quadro retratado por Rui não terá uma mudança significativa a curto prazo se não tivermos o engajamento de todos nas soluções dos problemas que nos angustiam. Por isso, a situação retratada e que estamos vivendo é dramática. Precisamos urgentemente refletir sobre o pensamento do grande brasileiro exteriorizado em sua célebre frase para fazer acordar todos de um sono pesado e profundo que não quer terminar, mas especialmente advertir aos homens e mulheres que detêm responsabilidade na execução das políticas públicas neste País que ofereçam melhores condições de vida para o seu cidadão, especialmente para as nossas crianças, que não têm o direito de viver nesse quadro de incerteza e de desgosto, a tomarem decisões dignas, decentes e que guardem integral consonância com uma realidade agradável que todos merecemos. 

Mas essa responsabilidade que precisa ser novamente ressaltada necessita alcançar sobretudo o conjunto da sociedade civil, porque é ela também a grande protagonista das coisas boas e ruins que construímos com as nossas ações, com os nossos propósitos e também com a nossa vontade inequívoca de legar para os nossos vindouros o que não tivemos o privilégio de herdar dos nossos antepassados.

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