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ARTIGO

Antonio Carlos Siufi Hindo: "Primeiro aprender, depois filosofar"

Promotor de Justiça aposentado

19 ABR 19 - 02h:00

A retirada da cadeira de Filosofia da grade curricular do ensino médio através de uma medida provisória patrocinada pelo governo do ex-presidente Michel Temer provocou discussões acaloradas, ofensivas e despropositadas entre os seguidores de diversas correntes dessa importante área do conhecimento humano e também do desenvolvimento nacional. Cada grupo esposa seu ponto de vista e suplica pelo acolhimento. Uns são a favor, outros contra. Não somos especialistas nessa área. Mas, não somos despropositados para não entender a importância do pensamento crítico no desenvolvimento intelectual do ser humano. 

Os sistemas filosóficos que aparecem, escolas de conhecimento científico  que surgem  arrogam-se em templos da verdade. Alinham fundamentos que desafiam o bom senso e a própria inteligência. Mas não conseguem desvendar o nosso destino. As negações e as aprovações sobre esses temas delicados são os que mais imperiosamente discutem. Sobre a vida, a morte,  e outras tantas incongruências, uns riem outros choram e ainda existem os que são indiferentes. Tudo fica na esfera da interpretação subjetiva. Mas serve para despertar o raciocínio, a imaginação e a criatividade do gênero humano. A nossa herança  cultural é muito amarga para enfrentarmos com inteligência o tema. A nossa educação foi vilipendiada, ultrajada, destruída e ainda  tornada indigna. Esse  é o seu espólio. 

Hoje, em pleno século XXI, a grande massa das famílias brasileiras vive faminta e maltrapilha, grita pela vida, suplica  por trabalho. Não lhes resta outra opção senão vencer com luta tenaz as durezas desses desafios diários. Desprovidos de instrução os pais não reúnem condições para auxiliar suas proles na formação intelectual. Retrato amargo das famílias miseráveis. Vivem todos nos dias que correm como viviam os jagunços nos primórdios da República Velha. Uma fidelidade canina aos seus donos e senhores que lhes ofereciam apenas o teto imundo e a comida santificada. Esses senhores que mandavam nos políticos eram os mesmos que se enriqueciam com a desgraça social. 

Nesse ambiente inóspito e cruel fica muito difícil ensinar a cadeira de  Filosofia para os nossos estudantes que não sabem ler e escrever a língua pátria. Não sabem se expressar na oralidade. Os erros de concordância são gritantes e ofensivos.  Na matemática o desastre é ainda maior. São as consequências inevitáveis do descaso. Escolas destruídas, mal iluminadas, com sanitários nojentos, piso de chão batido, crianças que são arrastadas para os bancos escolares motivadas pelo encontro sagrado com a merenda escolar. 

A péssima remuneração dos nossos professores é outro grande insulto. As agressões que os nossos mestres sofrem   dentro da sala de aula é outro desafio. Muito maior do que o seu sacerdócio. Um quadro medonho. Nesse ambiente inóspito não existe espaço digno para ensinar Filosofia aos nossos rebentos. Essa é a grande verdade que precisa ser desnudada. Não somos uma Dinamarca, Bélgica, Holanda, Noruega, Suécia que sempre privilegiaram a educação.  Tampouco nos aproximamos da Alemanha, Itália, Inglaterra e Estados Unidos da América do Norte. Nesses países a educação é considerada a grande indústria do conhecimento  humano e fonte sempre renovada do desenvolvimento nacional. A qualidade de vida e de bem estar dos seus cidadãos é diametralmente oposto ao nosso. 

Está refletida na saúde, educação e segurança e o trabalho digno que oferecem aos seus cidadãos. O índice inflacionário não assusta as famílias. O salário pago ao trabalhador simples é o suficiente para viver com dignidade. Esse conjunto de fatores  robustecem a certeza do entendimento que esposamos. Não somos os donos da verdade. As opiniões precisam ser exteriorizadas de forma civilizada. Sobretudo coerente com a nossa formação moral e cristã. 

De outro vértice as críticas precisam também surgir  para disciplinar e embelezar o bom debate. É  assim que vamos construir o caminho necessário para esses avanços significativos em nosso território. Todos nós almejamos esse precioso e encantador encontro. As nossas crianças merecem essa oportunidade. Os nossos jovens precisam protagonizar esse bonito desafio do conhecimento e do saber. Vamos chegar nesse importante patamar de desenvolvimento. A nossa esperança é grande. A receita para tanto os nossos governantes sabem de cor e salteado. Não é preciso dizer mais nada. 

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