Campo Grande - MS, quinta, 16 de agosto de 2018

OPINIÃO

Antonio Carlos Siufi Hindo: "Pedro Pedrossian"

Promotor de Justiça aposentado

1 SET 2017Por 01h:00

Perdemos o nosso mais expressivo líder político. Suas ações administrativas já foram salientadas com rara elegância pelos mais ilustres articulistas que enriqueceram as páginas dos nossos principais veículos de comunicação. Outros tantos homens e mulheres  gostariam também de  registrar a sua  gratidão ao eminente homem público.  Mas não o fazem por circunstâncias próprias e  que sabemos interpretar.  O que vale é a intenção. O que está esculpido em nossos corações. Sedimentado em nossas mentes. Isso é o mais importante. 

As palavras, às vezes, não relatam com absoluta fidelidade as suas ações administrativas.  Por isso, não há necessidade de enumerá-las, novamente. São marcas indeléveis, que não morrem nunca. Estão enraizadas em nosso sagrado solo. Elas se confundem com o nosso destino de grandeza; de altivez; de audácia; de coragem; de determinação e de esperança no futuro radiante que nos aguarda. Esse dogma não oferece espaço para contestação.

Dr. Pedro foi um desses meteoros que assistimos a sua aparição brilhante no curso de cada século. Dificilmente nesse interregno de tempo vamos encontrar outro homem público banhado com a exuberância  da sua inteligência, iluminado pela sua capacidade de trabalho e voltado para servir com amor acendrado a sua terra e o seu povo. Sua trajetória política foi inusitada.  Na  primeira eleição que disputou, o eleitor o conduziu pelo voto livre e soberano,  para ser o mais jovem inquilino a ocupar o Palácio do Alencastro, antiga sede do governo do Estado do Mato Grosso uno.  Foi o mais jovem governador do nosso País. E o último a ser eleito democraticamente pelo povo durante toda a vigência do regime militar. Esse raro privilégio está reservado apenas para os homens de brilho alvinitente. A conquista não o deixou soberbo. 

Foi generoso o suficiente  em poder compartilhar com os seus governados esse raro privilégio. E o fez da forma mais digna que poderíamos esperar de um líder. Esparramou em todos os quadrantes do Estado do Mato Grosso uno, obras significativas que cobriram de orgulho o nosso povo. Era essa a sua sina.  Seu plano de trabalho audacioso denunciava que se tratava de um administrador público diferenciado. Estava à frente do seu tempo. Tinha pressa para fazer acordar o gigante Mato Grosso. 

A sua vitoriosa campanha eleitoral foi enriquecida com a participação de outro eminente homem público  e seu adversário nas urnas,  Ludio Coelho. Naquela época, os partidos políticos eram verdadeiros templos religiosos. A fé inquebrantável de seus filiados respondia pela afirmação. Todos sustentavam orgulhosos a sua sigla partidária, a sua bandeira, as suas cores e os seus hinos.  Marchavam como céticos na defesa de seus líderes. Hoje, não existe mais essa cena de raro brilho que a democracia é capaz de proporcionar ao seu cidadão. 

A história só costuma reservar esse tipo de surpresas agradáveis para homens que possuem luz própria e seja capaz de pavimentar a estrada para o seu povo caminhar com segurança. Dr. Pedro foi um deles. Um pouco mais à frente trocou os seis anos de mandato que ainda lhe restava cumprir no Senado da República, pelos dois que passava a ter para governar o nosso Mato Grosso do Sul. Foi uma decisão desafiadora e reservada aos grandes homens públicos. Não titubeou. Deixou Brasília para permanecer em Campo Grande, a nossa Capital. Algo forte,  gritava dentro do seu ser para concretizar esse desiderato. Foi o que fez.

Com pouco mais de setecentos e trinta dias de governo traçou as linhas mestras que sustentariam o nosso desenvolvimento integrado. Cuidou de Campo Grande com carinho estremado. Sabia que precisava prepará-la adequadamente, para ser a nossa linda Capital. E conseguiu. Era a sua grande visão de futuro. Isso o empurrou para esse gesto nobre e imorredouro. Sabia que a história não costuma perdoar os egoístas  e os acomodados em tomar as iniciativas que podem levar esperança para o conjunto dos seus governados.

Mas foi  a implantação de três grandes Universidades Públicas a sua marca como governante.  Com essa ação audaciosa tirou da escuridão uma multidão enorme de jovens desejosos de concluir seus estudos superiores. As Universidades enriqueceram a nossa juventude. Encheu de luzes os nossos lares. Abriu novas frentes de trabalho, proporcionou dignidade para os nossos filhos. Foi, dentre todos os seus legados, o maior. Sobre esse alicerce sólido ergueu-se a nossa grandeza material e espiritual. Algo incontestável. 

Dr. Pedro não foi apenas um homem forrado de virtudes. É mentira. Teve muitos defeitos. Não podia ser diferente. Era produto da nossa sociedade. Talvez a sua maior virtude foi o de ter oferecido para todos nós  o brilho da sua inteligência  para a construção da nossa grandeza. As nossas autoridades constituídas saberão na ocasião oportuna homenagear esse grande homem público com as honrarias de que é merecedor. Disso tenho certeza. Que Deus o tenha, Dr. Pedro.

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