OPINIÃO

Antonio Carlos Siufi Hindo: "Indicação para a secretaria nacional de Cultura"

Promotor de Justiça aposentado
20/01/2020 01:00 -


Foi desastroso o pronunciamento formalizado pelo secretário nacional da Cultura. Fazer menção a um capítulo triste da história da humanidade consubstanciada pelas ações sórdidas deixadas pelo regime nazista o secretário exonerado conspirou em desfavor do nosso povo amante da paz e da concórdia.  Conspirou ainda em desfavor da nossa rica história. De outro vértice ao se espelhar em um assessor próximo de Hitler para avançar com as suas propostas no campo da cultura nacional cometeu a maior de todas as brutalidades. Cometeu um erro gravíssimo. Reviveu a discórdia, fomentou a perseguição, consolidou os mais nefastos sentimentos de desrespeito ao ser humano. Foi isso o que nazismo deixou como legado nojento. 

O mundo civilizado nunca havia assistido até então tamanha brutalidade como aquela emanada de Hitler, na cidade de Berlim. Suas ações, suas ordens, seus comandos, seus propósitos causaram repugnância em todo o mundo civilizado. A brutalidade com que esse regime de força agia contra os povos subjugados denunciava a estupidez de seu líder acobertado pelo silencio dos seus auxiliares imediatos. O Brasil lutou contra o nazismo durante a Segunda Grande Guerra Mundial. Mascarenhas de Morais foi o grande comandante em chefe das nossas forças expedicionárias no território italiano.  O soldado brasileiro mostrou sua coragem e a sua bravura nos campos de batalha cumprindo à risca o comando dos seus superiores hierárquicos. Vidas preciosas foram perdidas. O autoritarismo foi derrotado. Os nossos pracinhas foram recebidos como heróis nacionais pelos seus relevantes serviços prestados nos campos de batalha. Homenagem justa. São os nossos sempre festejados heróis nacionais.  O nosso governante de então, pasmem,  não conseguiu entender o resultado final da conflagração mundial e manifestou em concreto o propósito de continuar governando o povo brasileiro sob a égide do autoritarismo. Um brutal contrassenso. O nosso povo se rebelou. Getúlio, foi obrigado a deixar o Catete.  Isso não é pouca coisa. Foi um marco precioso da nossa história política e constitucional.  Representou muito para o exemplo de  honradez, dignidade, caráter e o amor grande à democracia.  Legado precioso para os  vindouros. O secretário tinha a obrigação cívica, moral e patriótica de conhecer essa passagem histórica. Zelar  pela sua força histórica. Era o seu dever maior  interpretar como escorreito esse precioso e indiscutível fato histórico.  

Reviver o nazismo, sob qualquer prisma seria marchar na contramão dos nossos mais elevados princípios democráticos e cristãos. Mas existe outra faceta do abominável discurso. O nosso legado cultural deixado pelos nossos antepassados não precisa ser comparado com nenhum outro do nosso planeta. Sobretudo o nazismo. Não precisamos dessas comparações. A nossa cultura já se sobressai diante de outras tantas pelas suas peculiaridades e grandezas. Os nossos intelectuais, os nossos homens simples que a construíram ao longo das suas atividades profissionais respondem pela sua grandeza. Todo o nosso país possui um caldo precioso de cultura. Aliado à nossa música, ao nosso folclore, às artes cênicas e a outros tantos espetáculos produzidos pelos nossos anônimos estão a representar essa glória e virtude nacional chamada de cultura. Ela não pode nunca ser subestimada, ultrajada, menosprezada. 

Daí a importância das palavras ao se referir aos seus encantos e a outros tantos temas que surgem à nossa frente. Elas precisam ser comedidas e policiadas.  São o nosso céu e  o nosso inferno. As palavras escritas ou ainda as proferidas verbalmente resultam marcadas de forma indelével. Não retroagem. Não podem ser borradas. Machucam os sentimentos, cobrem de vergonha a honra nacional. São essas  as suas marcas indeléveis. No caso vertente esse tipo de cometimento compromete frontalmente a política externa do nosso governo sempre voltado para estreitar as relações de amizade e de cooperação entre as nações civilizadas. Sobretudo, governadas sob a égide do regime democrático. 

O presidente Jair Bolsonaro agiu corretamente ao exonerar o  secretário. Seu espírito cívico e patriótico não se coaduna com o espírito do pensamento esculpido pelas linhas produzidas pelo seu secretario de cultura. O nosso presidente é um patriota. Amante da democracia. Não admitiria dentro do seu governo proposta escorado em regimes autoritários. Não tinha como se pode observar outra alternativa. Melhor assim. 

O nosso Mato Grosso do Sul  que já ofereceu dois filhos ilustres para formarem o primeiro escalão do atual governo federal, cujos trabalhos que desenvolvem com competência e lisura enriquecem a nação brasileira, cobrindo de orgulho enorme os seus conterrâneos poderia  muito bem oferecer um novo nome para compor as fileiras dos seus principais assessores. Seu nome Marisa Serrano. Tem uma vastíssima experiência na vida pública. Rica em propósitos e ações. A educação e a cultura  sempre  foram suas grandes vertentes. Sua comprovada competência no exercício sempre respeitoso de outras tantas funções públicas que exerceu durante a sua caminhada  poderiam também de forma sobeja responder por um eventual convite presidencial. A condição impar que atualmente exerce como  imortal da nossa Academia de Letras consagraria a bonita indicação.

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Felpuda


Princípio de "rebelião" política no interior de MS, fomentada por grupo interessado em tomar o poder, não prosperou. Quem deveria assumir o "comando da refrega", descobriu que, além da matemática ser ciência exata, há "prova dos nove". Explica-se: é segunda suplente, pois não conseguiu votos necessários nas últimas eleições, mas assumiu o cargo porque a titular licenciou-se, assim como o primeiro suplente. Caso contrarie a cúpula, seria aplicada a tal prova e, assim, "noves fora, nada".