Fale conosco no WhatsApp

Por sua segurança, coloque seu nome e número de celular para contatar um assessor digital por Whatsapp.

OPINIÃO

Antonio Carlos Siufi Hindo: "Diplomacia"

Promotor de Justiça aposentado

16 AGO 19 - 01h:00

A diplomacia é a fotografia explícita da política externa dos governos. É a sua espinha dorsal na condução das ações que fomentam a paz, evitam a guerra e se esforçam para a integração política e econômica dos continentes. A perseguição ensandecida pela manutenção da ordem democrática, dos direitos humanos, da preservação do meio ambiente e outras tantas ações benfazejas são os seus principais desideratos. Surgiu concomitantemente ao Estado. 

É o seu próprio corolário. Em todas as questões delicadas há o seu espaço reservado. A interpretação não pode marchar em outra direção. No limiar da história da antiguidade, temos o seu registro. O papa Leão I conversou com Átila, o flagelo de Deus, nas portas de Roma e evitou a devastação do Império dos Deuses. Registro marcante da boa conversa. Essa é a grande marcha das negociações. Imperadores, reis, príncipes, presidentes e ditadores, no curso das suas gestões, não anunciavam nenhum ato de beligerância sem antes consultarem seus chanceleres. Eram esses servidores públicos que davam início às conversações. 

O velho continente europeu sempre foi o berço dos grandes diplomatas. Engrandeceram as nações e pacificaram conflitos armados. Chancelaram acordos históricos, cobriram de orgulho os seus nacionais e esparramaram para todos os quadrantes a força do diálogo. O Congresso de Viena, a Santa Aliança, a Unificação dos estados alemães, a Unificação Italiana são os seus exemplos seculares. Metternich, Bismark, Victor Manuel II e o seu chanceler Camilo Benso e o conde de Cavour foram os construtores desses fatos históricos. As duas grandes guerras mundiais receberam também a sua chancela. A ONU é a casa da diplomacia mundial. No seu seio, são travados os grandes debates que envolvem ossagrados interesses dos seus membros. Esses fatos não precisam de palavras. São as suas próprias evidências. 

No tempo de paz, a labuta heroica do diplomata é perene, sem tréguas. Passa a ser o nosso principal mascate. Com suas ações sempre pontuais, avançam no comércio exterior. São os vendedores dos nossos produtos comerciais. Sem essas vendas não há produção, não há recolhimento de impostos, não há emprego e renda. A bancarrota começa a esboçar o seu sorriso amargo. Nenhum governo suporta essas crises. O embaixador, nesse contexto, torna-se um precioso instrumento do Estado para a manutenção da paz social. A nossa diplomacia sempre teve lugar de destaque em nosso continente.

Deixou marcas indeléveis. A criação do Estado de Israel sob a presidência do brasileiro Osvaldo Euclides de Souza Aranha foi marcante. O princípio da autodeterminação dos povos, consagrado com o brilhantismo da inteligência do chanceler Santiago Dantas, mostrou a nossa grandeza na arte magistral de congraçar os povos. Não surgiu uma única voz contra o seu desiderato. A histórica Carta de Buenos Aires, que colocou fim ao conflito sangrento travado entre paraguaios e bolivianos na Guerra do Chaco, teve a assinatura da nossa chancelaria. São fatos preciosos. 

No curso da República Velha, a diplomacia mostrou sua face grandiosa. Para se evitar uma luta no campo político, as principais lideranças foram buscar na cidade de Paris o nosso embaixador Epitácio Pessoa para ser o candidato majoritário à presidência da República. Vitorioso, chegou ao Catete. Seu nome e a sua voz conciliadora respaldaram a exitosa campanha. Foram conquistas sobejamente gratificantes. Só a força da diplomacia tem esse condão de consolidar as amizades, despertar vocações, unir as forças políticas e sensibilizar os governantes a marcharem na direção da paz. Tudo depende da forma como essas negociações são conduzidas. As palavras produzem um valor mágico, surpreendente. A nossa diplomacia marcha para assegurar o seu assento permanente no Conselho de Segurança da ONU. Temos todas as credenciais para avançar com esse propósito. 

Mas foi com José Maria da Silva Paranhos Junior, o Barão do Rio Branco, que conhecemos o seu esplendor. Coordenou com sua inteligência a complicada negociação sobre a Questão do Acre e escreveu com a força dos seus conhecimentos as linhas das nossas fronteiras. Até os dias que correm resultam respeitadas. Esse legado não tem preço.

O Instituto Rio Branco é a casa de formação dos nossos diplomatas. Seu nome foi uma justa homenagem a quem sempre prestigiou a boa conversa, apostou no bom senso, na força da argumentação, na solidez dos propósitos elevados. Nossa história não podia ter outra direção. A Constituição de 1988 chancelou esse sagrado propósito. Fez refletir com todas as letras que somos um povo pacífico. Amante contumaz da paz. 

Os comentários abaixo são opiniões de leitores e não representam a opinião deste veículo.

Leia Também

CORREIO DO ESTADO

Confira o editorial desta segunda-feira: "Otimismo presente!"

ARTIGO

Gilson Cavalcanti Ricci: "A bela morena de 120 primaveras"

Advogado
OPINIÃO

Wagner Cordeiro Chagas: "O primeiros passos como Capital"

Mestre em História pela UFGD
CORREIO DO ESTADO

Confira o editorial deste sábado (23): "Prevenir é sempre melhor"

Mais Lidas