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Campo Grande - MS, sexta, 16 de novembro de 2018

Opinião

Antonio Carlos Siufi Hindo:
A vida é um sopro!

Antonio Carlos Siufi Hindo é Promotor de Justiça aposentado

25 JUL 2017Por 02h:00

Resulta inquestionável que a vida é a maior de todas as conquistas do ser humano. Ela é mais do que uma conquista, resulta em uma verdadeira dádiva divina tamanha a sua grandeza, beleza e semelhança com o Criador. Ela precisa ser vivida intensamente. Ninguém sabe afirmar com absoluta certeza o tamanho da nossa existência. Se longeva ou prematura. Esse tema está localizado na seara dos desígnios de Deus.

Somente o Criador tem esse poder. Ninguém mais. A morte prematura da jovem Rosimeire Silva, 32, morta em um acidente de helicóptero no dia do seu casamento é a prova mais evidente  desse entendimento. Essas surpresas remetem-nos a uma profunda reflexão sobre a importância de vivermos intensamente a vida em todos os seus momentos. 

Não estamos falando da outra vida, a eterna. Essa não temos formação teológica para exarar o nosso juízo de valor. Sua verdade só pode ser apontada pela fé.  Estamos falando da vida real, daquela em que nos relacionamos diariamente com as pessoas, com as coisas que nos circundam e que está a exigir o nosso esforço para suplantarmos  os desafios.  É dessa vida encantadora e tentadora  que estamos falando. Da sua realidade nua e crua. Ela não pode ter como ditame superior apenas o trabalho. O trabalho sem dúvida nenhuma é importantíssimo, mas não é tudo. As conquistas enlouquecidas pelos bens materiais não podem por si só ditar os rumos da nossa caminhada. Outras situações singulares  guardam maior afinidade com o ser humano. Nesse sentido lembro-me perfeitamente de um sermão    feito por um padre redentorista na cidade paraguaia  de Pedro Juan Caballero por ocasião do falecimento de um grande amigo que fomos testemunhar o seu sepultamento. Afirmou o sacerdote naquela oportunidade que “ desta vida não levamos nada, nem a nós mesmos, porque  precisamos ser levados por terceiras pessoas às quais nem as conhecemos para o nosso descanso eterno “. Nunca tinha assistido uma interpretação dessa natureza. Foi muito forte  a colocação do sacerdote para passar despercebido. 

Nessa vida, ninguém é mais do que ninguém. Desse ensinamento singular uma grandeza resulta peculiar. Precisamos,  ter a consciência plena que a vida só terá sentido cristão se acompanhada de boas ações.

Madre Tereza de Calcutá na sua infinita sabedoria  sentenciou que aprecia mais as mãos que trabalham  do que os lábios que rezam. Não é preciso dizer mais nada. Ações destinadas a mitigar a dor e o sofrimento do nosso semelhante engrandecem o ser humano. Retrata a fotografia do Criador.  Nessa exposição formadora do presente artigo  não existe nada de inusitado. Estamos cansados de ouvir essa ladainha. Mas, somos irredutíveis em aceitá-las de uma forma convicta. A execução dessa verdade resulta pífia tamanha a hipocrisia social. A disputa diária pela sobrevivência ou para a conquista de mais bens materiais para engordar o nosso patrimônio transforma o ser humano em um metal vil. A vileza dessa ação está refletida na disputa amarga que travarão os seus  herdeiros pela disputa dos bens logo após a abertura da sucessão.

O espírito do ser humano é o mesmo qualquer parte do mundo. Os que pensam e agem dessa forma deixam evidenciar o seu caráter amargo, tacanho, medíocre. Poderia servir o seu semelhante e privilegia a omissão. Sua palavra suave poderia enxugar as lágrimas dos que sofrem, mas   prefere a indiferença. A ingratidão diante de tudo o que recebemos é o maior desrespeito  que podemos tributar a essa benção.  A inveja,  é a sua irmã gêmea. O Cristo não pode realizar os milagres em sua cidade natal. O texto sagrado dos cristãos relata essa verdade insofismável. A inveja dos seus irmãos o impediu da prática de tão salutar propósito.

Algo inacreditável. A humanidade  nos dias que corre, segue o mesmo caminho. Da descrença, da destemperança, da desconfiança, dos interesses nefastos, e do egoísmo. Mas, calma lá. Nem tudo está perdido. O mundo também tem pessoas civilizadas, que sabem interpretar corretamente o valor da vida a sua preciosidade e o espírito altruísta que precisam acompanhar os seus passos terrenos. Deixam exemplos maravilhosos. Essa é a grande e desafiadora diferença. Mas  elas não escapam do rol dos mortais. Suas vidas são também um sopro. Nada mais.

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