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ARTIGO

Antônio Carlos Siufi Hindo: "A santidadade está no coração do homem"

Promotor de Justiça aposentado

11 JUL 19 - 02h:00

Diante de tantas notícias ruins que todos os dias perseguem a humanidade, enfim, temos uma notícia alegre, festiva e digna de registro. Ela cresce de importância quando temos como seu principal protagonista uma patrícia, Irmã Dulce, que será canonizada pelo papa Francisco no próximo dia 13 de outubro. Os católicos no mundo inteiro certamente irão reverenciar uma nova luz, um novo conforto e uma nova esperança para vencer os desafios impostos pela vida moderna. 
Os brasileiros sabem de uma forma sobeja o acerto da decisão da Igreja. As obras deixadas pela santa tem a chancela do povo baiano que se privilegiou com a sua convivência mais próxima, mas sobretudo, da nação brasileira. João Paulo II quando peregrinou pelo nosso País teve um encontro histórico com a Irmã Dulce já combalida no seu leito de dor. O pontífice de então de uma forma respeitosa beijou suas mãos no propósito  inequívoco de revelar seus elevados dotes de espírito e ainda a sua grandeza moral. Era sem dúvida nenhuma o mais forte indicativo do premio que receberia anos mais tarde, a santidade. Não temos como não regozijar com esse fato. Especialmente em um País essencialmente católico. 

Essa caminhada de serviços desinteressados pautam sempre as ações diárias de homens e mulheres que se doam em favor dos desvalidos. Não pode existir nada mais sublime do que a doação. Trata-se de uma expressão generosa que as palavras, as mais bonitas e elegantes não tem o condão de defini-la com a exatidão da sua grandeza. Já disse alhures, que no silencio dos altares se erguem a grandeza dos que se consagraram uma vida inteira às renúncias materiais. A sua adoração se materializa no silencio das preces dos seus fiéis e devotos. Esse é um ato sublime. Irmã Dulce é a sua expressão maior. Mas essas oportunidades certamente tem um campo de ação bem mais amplo.  Alcançam o conjunto da humanidade. 

Todos são chamados a ser santo. São os nossos pequenos gestos que fazem a vida esboçar o seu sorriso largo para o  protagonista. Nesse sentido nenhuma dificuldade existe para experimentarmos com lucidez  essa delícia. Depende exclusivamente  da nossa manifestação inequívoca  de proposito.  Sua estrada continua larga e bem pavimentada. Esse é um encontro corajoso e que somente os desígnios de Deus,  podem melhor desvendar.  Santa Dulce dos Pobres  como será chamada após sua canonização certamente se espelhou nessas maravilhas, fazendo fecundar todos os dias da sua existência com, ações e propósitos,  que se confundem com a própria  santidade. O dinheiro, o luxo, o poder, a irreverencia e ainda outros tantos males que desvirtuam o ser humano das práticas saudáveis remetem-nos à certeza da sua pequenez e da miserabilidade das suas ideias. Da vulnerabilidade dos seus propósitos. Não sabem avaliar a dor dos moribundos. A dor intensa dos órfãos, não tem um indicativo de ideia do desastre que atinge os lares destruídos, e não sabem da importância de uma palavra  doce e suave que pode evitar um suicídio, um ato homicida e outros tantos desastres que podem nos horrorizar. Nesse contexto não há necessidade de frequentar Igrejas para atingir a santidade.  Respeitamos a crença dos fiéis. Os dogmas da Igreja. 

Mas não é preciso nenhuma comprovação científica para o indicativo dessa santidade. A santidade está no coração do ser humano. O carroceiro; o pedreiro; o carpinteiro; o sertanejo; o seringueiro e todos os homens comuns que lutam como gigantes todos os dias para criarem suas famílias também operam rotineiramente seus  milagres. Seus gestos, suas ações e  seus atos inequívocos de  bons e salutares  propósitos não dependem de comprovação científica. Elas se exteriorizam nos seus lares,  nas oficinas de trabalho, nas ruas. Tem a chancela da  população. Essa é a comprovação cristalina da santidade. 

Os santos não caem do céu. Nascem das nossas entranhas. Não são forrados apenas de virtudes. Possuem também seus defeitos. Andam ao nosso  lado todos os dias, em todos os quadrantes do nosso território. São seguramente os seus atos de rara beleza que os engrandecem.  Cada ser humano tem o livre arbítrio para traçar o seu próprio destino. Essa é a regra basilar e imutável para a construção sólida dessa grande conquista fotografada pela doçura exemplar da  santidade.

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