ARTIGO

Antônio Carlos Siufi Hindo: "A fronteira é forrada por homens de bem, não por bandidos"

Promotor de Justiça aposentado
24/01/2020 02:00 -


Os últimos acontecimentos envolvendo a fuga de presos do sistema prisional de Pedro Juan Caballero colocou novamente a fronteira na linha de frente do noticiário nacional – sempre do lado mais sórdido e perverso. Mas esse episódio, aliado a outros tantos que desgraçadamente já protagonizamos, não tem o condão de jogar sua população para o inferno. A fronteira não é um covil de bandidos, de gente perversa e disseminadora do ódio, da vingança, da destruição, da dor e do luto. Nada disso.

Ponta Porã é formada por homens de bem. Sua história é linda. Remonta à época do II Império, quando levas de nacionais e estrangeiros chegaram para construir essa próspera cidade. Lá na frente, muitos pegaram em armas para lutar contra a ditadura de Vargas, em 1932. Sonhavam com o estado de Mato Grosso do Sul, à época. Produzimos intelectuais que abrilhantaram as nossas letras. Seus campos de cultivo mostram a força do seu empresariado. Suas linhas territoriais marcam o início e o fim do Brasil. Muitos presidentes visitaram a nossa sempre linda fronteira. Isso não é pouca coisa.

O território federal foi a sentinela mais avançada do nosso desenvolvimento. Nesse contexto, não pode ser crível que uma quantidade ínfima de pessoas despropositadas comprometam a lisura e a integridade moral dessa população. Odilon de Oliveira foi feliz ao afirmar para o Correio do Estado que o governo federal abandonou a fronteira. Declaração irretocável. O juiz Odilon distribuiu Justiça enfiado num prédio vergonhoso, sem nenhuma segurança. Parecia muito mais um departamento prisional do que propriamente a sede da Justiça Federal. Hoje a Justiça Federal só mudou o endereço. Adaptaram, pasmem, uma mansão para ser a sua sede. Inconcebível. O MPF já não existe; bateu em retirada. 

O prédio onde funciona a Delegacia da Polícia Federal é outra vergonha. Palavras não conseguem descrever o raquítico espaço para as autoridades policiais e seus agentes exercerem dignamente seus ofícios. Nossa força pública não reúne efetivo e preparo para o enfrentamento de tema que compete à União Federal. O Paraguai é um parceiro nosso. Gosta da boa música e da culinária que forma uma legião de amigos. Nesse contexto, os militares do nosso regimento poderiam oferecer uma segurança permanente na região de fronteira. 

A inércia do estado brasileiro oferece a senha para o agigantamento das ações condenáveis. Reinaldo Azambuja não tem culpa nenhuma sobre esse tema. Faz o que pode dentro da sua peça orçamentária minguada. O município segue na mesma direção. Sua Secretaria Municipal de Segurança Pública é formada por homens e mulheres sem nenhum preparo técnico para esse tipo de confronto. A Força Nacional custa muito caro para a nossa cidade. Dinheiro que o prefeito poderia destinar aos nossos carentes. O DOF não tem suas raízes fincadas na fronteira. Um absurdo. 

Nesse contexto sombrio, temos que a União Federal tem a responsabilidade pela nossa segurança. Ela tem de ser o carro-chefe para comandar as ações para salvaguardar a nossa segurança. A bandidagem, nos seus mais diversos tipos de exteriorização, existe em todos os lugares. Num passado recente, o poderoso exército russo comandado por Putin invadiu a Ucrânia e tomou pela força um pedaço precioso do seu território, a península da Crimeia. Uma violência sem limites contra um povo incauto. Existe banditismo maior do que esse? Ninguém levantou a voz contra Moscou. 

Os assassinatos, as extorsões, as sevícias, os maus tratos, os estelionatos, as torturas e outros tantos tipos penais que por aqui ocorrem não são privilégios somente da fronteira; existem em todos os lugares. Esse cenário pode ser modificado. Políticas públicas sérias são os seus indicativos. Conversa fiada não serve para nada; causa náusea, incita a repugnância, destrói os sentimentos e enfurecem sobremaneira uma população ordeira. Sobretudo, amante da paz.

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Felpuda


Princípio de "rebelião" política no interior de MS, fomentada por grupo interessado em tomar o poder, não prosperou. Quem deveria assumir o "comando da refrega", descobriu que, além da matemática ser ciência exata, há "prova dos nove". Explica-se: é segunda suplente, pois não conseguiu votos necessários nas últimas eleições, mas assumiu o cargo porque a titular licenciou-se, assim como o primeiro suplente. Caso contrarie a cúpula, seria aplicada a tal prova e, assim, "noves fora, nada".