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ARTIGO

Ângelo Rabelo: "O futuro não pode ser perdido"

Oficial da reserva da Polícia Militar, ex-comandante da Polícia Florestal

7 AGO 19 - 02h:00

A produção de grãos no Brasil deverá crescer em mais de 20% nos próximos 10 anos, segundo dados da Abrapa. Deveremos liderar em todas as áreas de produção.

Este crescimento está associado a maior eficiência dos agricultores, com uso de tecnologia e fertilizantes mais potentes e a riqueza das nossas terras. Agricultura de precisão! Este quadro, associado à oportunidade de recuperação de áreas degradadas, já identificadas, dá a nós possibilidade real de crescer ainda mais, e também de não precisarmos avançar no desmatamento. Todo este quadro evidencia a nossa competência na produção de grãos, na qual somos incomparáveis no mundo.

Talvez, a partir das informações geradas pelo Cadastro Ambiental Rural (CAR), pudéssemos discutir uma análise mais criteriosa nas autorizações de supressão e desenvolver um amplo programa de recuperação de áreas degradadas, incentivado, especialmente, por nossas nascentes e matas ciliares. Este apoio, poderia vir dos bancos, que seguem lucrando com o agronegócio sem nenhuma responsabilidade pelos passivos. Vale lembrar do nosso saudoso Rio Taquari, vítima de um processo mal concebido. Imaginem o ganho se o Seguro Agrícola considerar o pagamento de passivos ambientais? Será um avanço fantástico para toda sociedade. Preocupa-me neste momento o silêncio de nossas lideranças diante de uma oportunidade fantástica de proteger o nosso futuro.

O caso do nosso Parque Nacional da Bodoquena: precisamos urgentemente de uma força-tarefa para que usem suas competências salvando o parque. O único parque nacional de Mato Grosso do Sul com a última mancha de floresta Atlântica no Estado. São mais de 50 grutas ainda inexploradas, de belezas cênicas incomparáveis. Não entro no mérito do direito dos proprietários serem indenizados. Isto é legítimo. Não cabe discussão. A mobilização do governo federal e estadual, Tribunal de Justiça e políticos certamente poderão encontrar a solução de regularização fundiária, recursos financeiros e assegurar os mecanismos legais para consolidar o que, sem dúvidas, será um legado inquestionável para sociedade. É incalculável o universo de empregos e receita que serão gerados com a implantação e concessão definitiva do parque.

Por último, quero destacar o espetáculo da natureza que o Rio Perdido nos oferece. Cerca de 70% está dentro do parque, contornando com águas azuis cristalinas a Serra da Bodoquena. Quero crer que todos os atores com poder, e juntos da sociedade, não deverão permitir que outros interesses nos deixem desorientados e nos impeçam de perder está oportunidade única de proteger o nosso futuro, o nosso futuro comum.

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