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ARTIGO

Ananda Garcia e José Carlos Ugeda: "Arborização urbana: a valorização da vida"

Ananda Garcia da Silva é acadêmica do curso de Administração da UFMS-Três Lagoas
José Carlos Ugeda Júnior é professor adjunto do Departamento de Geografia - UFMT

26 AGO 15 - 00h:00

A urbanização brasileira, que é definida como tardia e acelerada, ocorre sem que sejam garantidas as condições básicas para o seu desenvolvimento, como planejamento adequado e infraestrutura. Essa e outras questões levam ao surgimento de problemas que interferem na qualidade ambiental urbana e consequentemente na qualidade de vida de seus moradores. Na atualidade, aproximadamente 80% da população brasileira vivem em cidades, fato que torna esses problemas ainda mais preocupantes, pois eles tendem a afetar um enorme número de pessoas. 

Os serviços de distribuição de água, energia elétrica, tratamento de esgoto e telecomunicações, entre outros, trouxeram para as cidades praticidade, porém, por outro lado, trouxeram também um emaranhado e complexo sistema de cabos, galerias e dutos que tomam conta do subsolo e do ar. E isso interfere significativamente em um dos principais meios de levar qualidade de vida a quem vive nas cidades, que é a arborização de praças, ruas, avenidas, entre outros espaços.

Destaca-se também a explosão imobiliária da década de 1960, que ocasionou a perda de jardins privados e a impermeabilização do solo. Nesse cenário, as áreas verdes ficaram cada vez mais restritas, dando espaço às construções. 

No Brasil, a arborização urbana é uma prática relativamente recente – com pouco mais de 120 anos – em comparação com países europeus. E vem merecendo uma atenção cada vez maior em virtude de seus benefícios à sociedade e à preservação do ambiente.

As árvores constituem uma parte viva das cidades, essencial para o desenvolvimento da vida humana, pois, como sabemos, a vegetação em desenvolvimento é a principal responsável pelo sequestro de carbono e purificação do ar que respiramos, elementos essenciais para todos os seres.Em ambientes industrializados, os índices de poluição tendem a ser elevados, e um meio de amenizar suas consequências é a implantação de mais áreas verdes nas cidades, o que gera vários outros benefícios. Entre esses benefícios, podem ser mencionados o bem-estar psicológico, o aumento da umidade relativa do ar e direcionamento do vento, o que contribui para o surgimento de um microclima mais agradável, a redução do impacto da água das chuvas, a amenização da poluição sonora, além do efeito estético que valoriza a cidade e da preservação da fauna silvestre.

A vivacidade dessas áreas verdes expressa-se, sobretudo, em espécies de grande porte, com média de 8 metros de altura e copa de aproximadamente 25 metros de diâmetro. E isso nos remete novamente às interferências relacionadas a fios, cabos, dutos, que estão por todas as partes das cidades, praças e avenidas, dificultando que as árvores desse porte se desenvolvam nesses locais, de que resulta a utilização de arvores de médio a pequeno porte.

Uma pesquisa divulgada pelo IBGE, extraída do Censo Demográfico 2010, Características Urbanísticas do Entorno dos Domicílios, levantou uma polêmica sobre a situação das árvores das cidades brasileiras. Segundo os dados, em áreas urbanas com mais de 1 milhão de habitantes, Goiânia (GO) está em primeiro lugar: quase 90% dos domicílios possuem árvores ao seu redor. Em seguida, aparecem Campinas (SP), com 88,4%, e Belo Horizonte (MG), com 83%. O principal problema que preocupa os defensores dessa prática é que a pesquisa considerou que uma quadra é arborizada mesmo que abrigue uma única árvore. Assim, além de gerar dados imprecisos sobre determinados municípios, também não serve para diagnóstico do verde urbano.

O descaso com assuntos relacionados às áreas verdes no contexto urbano brasileiro é notável: ainda hoje se discute qual é a melhor forma de definir índices de arborização em uma cidade. Além disso, ainda se busca uma definição para área verde urbana, cobertura vegetal, floresta urbana, espaço livre e outras expressões. 

Para que haja uma arborização adequada, é preciso planejar a posição das árvores, a variedade e o porte das espécies, a canalização ou bloqueio dos ventos; enfim, o ideal é a elaboração de um sistema contínuo de vegetação urbana, que alcance todos os bairros e também os espaços livres. Esse sistema requer investimentos na produção de mudas e na adequação de algumas características da cidade, como as calçadas, a fiação elétrica e a iluminação pública, mas o principal investimento deve ser na sensibilização da população sobre a importância da vegetação urbana e os benefícios que ele pode trazer para sua qualidade de vida. Talvez estes sejam alguns dos motivos para que não exista tanta prioridade em assuntos relacionados a este tema, visto que o retorno não será tão rápido como é visto em outras atividades. 

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