Campo Grande - MS, quinta, 16 de agosto de 2018

OPINIÃO

Ana Carolina Monteiro: "UFMS: a flor de Mato Grosso do Sul"

Jornalista, mestre em Comunicação

19 OUT 2017Por 01h:00

Certa vez, perguntaram a Buda qual a diferença entre amar e gostar. Sabiamente, o mestre respondeu: “Quando gostas de uma flor, a arranca; mas quando amas uma flor, a rega todos os dias.” Acredito que tal sabedoria possa ser aplicada a vários contextos. Até neste artigo.

Em meio a um cenário de crise econômica em âmbito internacional, com severos reflexos no Brasil, o foco da atual gestão da UFMS tem sido garantir condições de sustentabilidade à instituição, por meio do diálogo e de parcerias, estreitando relações com a comunidade acadêmica, com o município, o Estado, instituições federais, com o setor empresarial, órgãos de controle e fiscalização e a sociedade em geral.

É verdade que a UFMS enfrenta hoje problemas estruturais graves, resultado de décadas de diversos tipos de desajustes, inclusive com o Governo Federal na busca por recursos para investimentos. Lógico que expandir sempre foi necessário, mas não sem perder de vista e cuidar da UFMS que já crescia e florescia, dando inclusive bons frutos.

Mas, nem tudo são espinhos. Temos que nos encher de orgulho ao saber que por meio de suas pesquisas nas mais diversas áreas, a UFMS tem colocado à disposição da sociedade todo seu capital humano e tecnológico, o que tem lhe garantido importante papel estratégico no desenvolvimento de Mato Grosso do Sul. Instalada em 10 municípios, oferta 113 cursos de graduação e 53 de pós-graduação, possui cerca de 20 mil alunos matriculados nos cursos de graduação presencial, a distância e na pós-graduação. Atualmente, é a 1ª do Estado, segundo ranking da Folha de São Paulo, divulgado em setembro deste ano.

Ao longo de seus quase 40 anos de federalização, e 55 de criação, a UFMS tem sido responsável pela formação de enorme contingente de recursos humanos, base do mercado de trabalho do Estado. Desenvolve e incentiva atividades e pesquisas em múltiplas áreas, como agricultura familiar, saúde, educação, arte, tecnologia e inovação, sobre o Pantanal, com os povos indígenas, incubação de pequenas empresas, fomentando a conversão do conhecimento em geração de renda e emprego para a sociedade. 

Em 2017, a UFMS buscou ações para evitar seu colapso institucional. Como todas as 63 instituições federais de ensino superior no país, enfrenta um duro regime de contingenciamento de recursos. Destaque para algumas medidas salutares adotadas, como a reorganização administrativa; o controle das contas e a redução em 25% nos contratos com terceirizados. A instituição do SEI – Sistema Eletrônico de Informação, usado para criação e tramitação de documentos internos. Até novembro deste ano, não se criará mais nenhum processo físico dentro da UFMS. O que proporcionará uma economia de 60% em papel.

Com o olhar na transparência e na participação da comunidade, foi instituída a transmissão on-line das reuniões dos Conselhos da UFMS e criada a página on-line sobre transparência da execução orçamentária da Instituição, ambas, medidas institucionais inéditas. Todos os empenhos, despesas e receitas das Unidades da UFMS, em 2017, estão à disposição dos órgãos de controle e fiscalização e de toda a sociedade em geral.

Com o intuito de aperfeiçoar sua gestão e melhorar os serviços que oferece, a UFMS firmou acordos em áreas, como segurança, educação, políticas públicas, direito público e gestão. Foram assinados 52 acordos de cooperação, sete protocolos de intenção e dois novos convênios com instituições das três esferas governamentais, entidades sem fins lucrativos, do setor privado e empresarial, para as mais diversas finalidades e sempre contemplando os pilares do ensino, da pesquisa e da extensão. 

Manter a UFMS funcionando demanda cuidados rotineiros, assim como manter viva a flor de um jardim, demanda planejamento e atenção. A flor precisa ser regada, podada e iluminada adequadamente. É preciso se preocupar com o fertilizante e o solo, afastar as ervas daninhas e eliminar o mofo. Além disso, as flores têm seu próprio tempo e demonstram quando precisam de cuidados. Basta ficarmos atentos para agir na hora certa. Isso vale para a nossa Universidade Federal.

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